Conceição Evaristo: A Voz da Escrita Viva e a Celebração de uma Trajetória

Conceição Evaristo: Uma Artista em Plena Expressão
Aos 79 anos, Conceição Evaristo continua a surpreender e a enriquecer o cenário cultural brasileiro. A renomada escritora coleciona estreias em diversas áreas, demonstrando sua versatilidade e talento. Em fevereiro, o público poderá apreciar sua estreia como atriz no filme “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, de André Novais Oliveira, onde interpreta a personagem Jacira. Além disso, ela será homenageada pela Império Serrano no Carnaval do Rio, e terá sua vida transformada em uma ópera que estreará em novembro, no mês de seu 80º aniversário.
Da Literatura ao Cinema: Uma Nova Experiência
O filme “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, exibido na mostra Panorama do Festival de Berlim, narra a história de Jacira e Gilberto, um casal que envelhece junto em Contagem, Minas Gerais. A trama mescla o cotidiano com elementos de ficção científica, abordando temas como memória e luto. Conceição Evaristo, inicialmente insegura com o convite para atuar, encontrou apoio na equipe e no método do diretor, que valoriza a naturalidade e a experiência de pessoas não familiarizadas com o cinema.
“Tinha que sair daquilo que eu sou e encarnar uma personagem que de certa forma sou eu também, uma mulher negra e mineira, mas dona de casa e com instrução mediana”, compartilha a autora. A caracterização e a mudança de visual foram importantes para que ela se conectasse com a personagem e compreendesse suas dores e subjetividades.
A Escrita como Processo de Vivência
Conceição Evaristo compara o processo de atuação com a escrita, afirmando que ambos a envolvem profundamente. “Muitas vezes a escrita também me toma pelo corpo e dói. Literalmente me dói. Criar determinadas histórias é chorar com elas”, revela. No entanto, ela reconhece que o cinema exige uma entrega física diferente, já que ela se considera uma pessoa mais introspectiva.
Apesar disso, ela encontrou semelhanças com a personagem Jacira, que também é introspectiva. A leveza do processo foi facilitada pelas cenas cotidianas, como a ida a uma consulta médica. O filme retrata o afeto e a cumplicidade entre o casal, mostrando que o amor também existe entre pessoas negras, sem a necessidade de discursos explicativos.
O Carnaval como Celebração da Ancestralidade
A Império Serrano prestará homenagem a Conceição Evaristo no Carnaval do Rio, com o enredo “Ponciá Evaristo Flor do Mulungu”. O desfile destacará a importância de sua obra e temas como ancestralidade e resistência femininas. Esta é a primeira vez que a vida e a obra da autora serão tema de um enredo na Sapucaí, um reconhecimento de sua contribuição para a cultura brasileira.
Para Conceição Evaristo, o desfile representa um retorno de sua literatura às origens, à rua e ao cotidiano das pessoas negras. Ver sua escrita ganhar vida no samba é um momento de grande alegria e significado.
Uma Ópera Escrita com a Alma
A trajetória de Conceição Evaristo também será transformada em uma ópera, com estreia prevista para o Dia da Consciência Negra, em novembro. A autora está trabalhando com duas musicistas na criação do espetáculo “Conceição Evaristo – Uma Ópera Escrevivência”, que busca democratizar o acesso à música clássica, apresentando-se tanto em palcos tradicionais quanto em espaços periféricos.
Conceição Evaristo acredita que sua arte é universal, pois parte das experiências individuais para tocar em temas universais da humanidade. Sua escrita permite que os leitores se reconheçam em personagens diversos, promovendo a empatia e a compreensão.
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