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Gabriela Loran: A Ascensão da Atriz Trans que Conquista o Brasil

Gabriela Loran: A Ascensão da Atriz Trans que Conquista o Brasil

temp_image_1771725912.080657 Gabriela Loran: A Ascensão da Atriz Trans que Conquista o Brasil

Gabriela Loran: A Estrela Trans que Ilumina as Telas Brasileiras

O sucesso, inegavelmente, exige dedicação e sacrifício. No caso de Gabriela Loran, a talentosa Viviane da novela Três Graças, essa dedicação se traduz em uma rotina incansável. Em uma recente sexta-feira de janeiro, a atriz de 32 anos encerrou uma longa jornada nos Estúdios Globo, embarcou em um voo para Salvador – conciliando trabalho e lazer – e participou do Festival de Verão ao lado de Belo, seu colega de folhetim. Retornando ao Rio de Janeiro, mal teve tempo para descansar antes de se dedicar às filmagens em Curicica.

“A vida pessoal está em segundo plano, mas acredito que este é o momento de colher os frutos do meu trabalho. Preciso aproveitar todas as oportunidades que surgem”, confessa Gabriela, com um breve bocejo compreensível.

Uma Trajetória de Superação e Conquistas

Gabriela Loran não é apenas uma atriz talentosa, mas também um símbolo de representatividade e superação. Pioneira ao conquistar um papel em Malhação em 2018, a atriz expandiu sua carreira com participações em Cara e Coragem (2022) e Renascer (2024), além da série Arcanjo Renegado do Globoplay, cuja quinta temporada está prevista para 2026.

Nascida e criada em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Gabriela sempre sonhou com o estrelato. “Quando era pequena, ela pedia para se apresentar no programa do Raul Gil, mas não tínhamos condições financeiras para ir até São Paulo”, relembra sua mãe, Maria das Dores.

A infância de Gabriela foi marcada pela discrição, enquanto a adolescência foi desafiadora devido ao bullying na escola, um sofrimento que ela guardou para si, temendo a reação da mãe. “Mesmo com dificuldades financeiras, meus pais sempre investiram em mim. Hoje, sou fluente em inglês”, orgulha-se a atriz.

Da Segurança do Trabalho à Arte Cênica

A pedido da família, Gabriela se formou em segurança do trabalho, mas optou por seguir sua paixão e ingressar na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) em 2016, financiando seus estudos através do Fies.

Foi ao seguir sua vocação que Gabriela pôde se expressar plenamente como mulher trans. “Na peça de formatura, ela subiu ao palco vestida como a Beyoncé. Meu marido e eu ficamos emocionados ao vê-la se apresentar. Ali, percebemos a sua verdadeira essência”, conta a mãe de Gabriela.

Com resiliência e determinação, Gabriela enfrentou obstáculos e críticas, chegando a ouvir que só poderia interpretar personagens estereotipados. No entanto, sua carreira decolou, impulsionada por sua convicção e talento. “Sempre soube onde queria chegar. Meu maior sonho é ganhar um Oscar, e vejo essa possibilidade cada vez mais próxima, inspirada por atrizes como Fernanda Torres e Wagner Moura”, exulta.

Viviane: Um Espelho da Realidade

A semelhança entre Gabriela e sua personagem, Viviane, vai além da vivência como mulher trans. “O brilho da Viviane reside em trazer à tona discussões importantes sem reduzi-las a um único aspecto da vida humana”, observa Júlio Cesar Sanches, professor de comunicação da Uerj.

Assim como sua personagem, Gabriela valoriza profundamente a família e os amigos. “Sempre que tenho um tempo livre, volto para São Gonçalo para estar com meus pais”, conta. Desde que alcançou a estabilidade financeira, comprou um carro automático para o pai, que tem deficiência, e proporcionou à mãe a oportunidade de cursar Direito.

O Futuro Promissor de Gabriela Loran

“A história que Gabriela está construindo rompe barreiras, abre caminhos e desmistifica preconceitos”, afirma Alanis Guillen, a Lorena de Três Graças.

Gabriela Loran almeja interpretar uma variedade de papéis, incluindo protagonistas, vilãs e mães. “Gostaria de explorar a maternidade, vivenciar esse imaginário”, explica. “Ser trans é apenas uma parte de quem eu sou. Sou multifacetada e até ministro palestras”, conclui. Com tantas histórias para contar, seria um erro limitá-la a um único rótulo.

Depoimentos de colegas de trabalho:

  • Pedro Novaes (Léo): “Gabriela consegue ser séria e engraçada, e pensa em tudo ao mesmo tempo. A gente aprende muito um com o outro e sempre encontra uma maneira de transmitir verdade cênica através da troca e da escuta.”
  • Belo (Misael): “É uma atriz potente, generosa e profundamente humana. Ela foi, sem dúvida, uma das grandes surpresas dessa nova fase da minha vida artística. Eu e Gabi compartilhamos sensibilidade.”
  • Alanis Guillen (Lorena): “Gabi olha profundamente nos nossos olhos, demonstrando interesse. Ela está impulsionando o mundo para frente com a própria existência, e isso é incrivelmente poderoso.”
  • Marcos Palmeira (Joaquim): “Trabalhamos juntos em Renascer e já havia notado, mesmo em uma pequena participação, um dom e um astral gigantescos. Gabriela é um talento e, para mim, é um prazer dividir o estúdio com ela.”

Fonte: Veja Rio

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