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Grazi Massafera e Dona Beja: A Verdade por Trás do Mito

Grazi Massafera e Dona Beja: A Verdade por Trás do Mito

temp_image_1771376984.110194 Grazi Massafera e Dona Beja: A Verdade por Trás do Mito

Grazi Massafera e Dona Beja: A Verdade por Trás do Mito

Com a estreia de ‘Dona Beja’ no catálogo do HBO Max, a figura de Ana Jacinta de São José, magistralmente interpretada por Grazi Massafera, ressurge como um fascinante ponto de encontro entre história e ficção. A personagem, símbolo de escândalo e sedução no interior de Minas Gerais do século XIX, ganha nova vida sob a lente do romance, mas qual a verdade por trás do mito?

A produção se inspira em obras clássicas como ‘A Vida em Flor de Dona Beija’, de Agripa Vasconcelos, e ‘A Feiticeira do Araxá’, de Thomas Othon Leonardos, que popularizaram uma versão mais novelesca da história. No entanto, o jornalista Pedro Divino Rosa, conhecido como Pedro Popó, apresenta uma narrativa alternativa, baseada em documentos históricos e relatos de familiares.

A Paternidade Revelada: Um Segredo de Família

Um dos aspectos mais controversos da vida de Dona Beja é a origem de sua primeira filha, Tereza Thomásia de Jesus. Popó afirma, com base em evidências documentais, que a paternidade da menina não é incerta: “Tereza Thomásia de Jesus era filha de um padre. Isso está comprovado.” Ele aponta para registros no Museu de Araxá que atestam o reconhecimento da paternidade pelo religioso.

Apesar das provas, a ficção optou por um caminho diferente, criando um romance entre Beja e o personagem Antônio Sampaio, que, segundo Popó, é uma invenção literária. “Deixaram de lado a verdade sobre a primeira filha de Beija para criar um romance com um personagem ‘inventado’, na minha opinião.”

Dona Beja e a Política: Uma Influência nos Bastidores

Além das paixões e dos escândalos, a história de Dona Beja pode ter tido um impacto significativo na política mineira. Popó sugere que a personagem, através de sua relação com o ouvidor da região, pode ter influenciado a anexação do Triângulo Mineiro em 1816.

Embora a decisão final tenha sido motivada por interesses econômicos e administrativos, o pesquisador argumenta que ignorar a dimensão relacional de Dona Beja empobrece a compreensão do episódio.

A Releitura Televisiva e a Busca pela Verdade

Diante da nova adaptação televisiva, Popó acredita que a produção terá grande apelo popular, mas ressalta a importância de equilibrar ficção e documentação histórica. Ele critica a falta de consulta a estudiosos e descendentes durante a preparação da obra, lamentando a perda de informações valiosas.

A trajetória de Dona Beja é um mosaico de narrativas: o romance literário, a tradição oral, os arquivos públicos e a dramaturgia televisiva. A nova novela reacende o fascínio em torno dessa mulher enigmática, que viveu entre Araxá e Estrela do Sul, deixando um legado de mistério e controvérsia.

Entre mito e realidade, Dona Beja permanece uma personagem aberta a interpretações. A chave, segundo Pedro Popó, é reconhecer a existência da história documentada e valorizá-la, sem permitir que seja completamente eclipsada pelo imaginário.

Para saber mais sobre a história de Dona Beja, confira:

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