Lázaro Ramos: Trajetória, Superação e a Busca pelo Sorriso da Mãe

Lázaro Ramos: Uma Vida Entre a Arte e a Memória
Lázaro Ramos, um dos nomes mais respeitados da atuação brasileira, carrega em sua trajetória uma história de superação e uma profunda conexão com suas raízes. Aos 47 anos, o ator, diretor, produtor e escritor revisita sua infância e a figura fundamental de sua mãe, dona Célia Sacramento, em uma jornada de autoconhecimento e reconhecimento.
A Infância Marcada pela Ausência e pelo Trabalho
Em um relato emocionante, Lázaro compartilha memórias de um quartinho de empregada em Salvador, onde sua mãe trabalhava. A lembrança de um espaço limitado, onde a comunicação era escassa, ressurge em seus sonhos, revelando uma infância dividida entre a casa do pai e o quintal da tia-avó. Dona Célia dedicava-se integralmente ao trabalho, em jornadas exaustivas, sacrificando seu tempo e bem-estar.
Da Tela à Vida: Um Artista Engajado
Décadas depois, Lázaro Ramos se tornou um artista multifacetado, conquistando o público com seu talento e carisma. Casado com a atriz Taís Araujo há duas décadas e pai de Maria Antônia e João Vicente, ele se destaca em papéis marcantes como o vilão Jendal na novela A Nobreza do Amor. Sua versatilidade o levou a Berlim, com o filme Feito Pipa, e ao cinema, ao lado de grandes nomes como Fernanda Montenegro e Bruna Marquezine em Velhos Bandidos. Em breve, o público poderá conferi-lo na terceira temporada da série Os Outros, no Globoplay.
A Luta Contra Estereótipos e a Busca por Representatividade
Ao longo de sua carreira, Lázaro Ramos se recusou a aceitar papéis que perpetuassem estereótipos racistas, como personagens marginalizados e sem história. Ele defende a importância de dar voz e humanidade a todos os personagens, independentemente de sua origem ou função social. “Todos esses personagens merecem ter a história contada. Tirar isso deles é também tirar sua humanidade”, afirma o ator.
O Legado da Mãe e a Reconstrução da Memória
Em 2017, Lázaro percebeu a necessidade de revisitar a história de sua mãe, que havia sido pouco explorada em sua autobiografia. A observação de Luiz Schwarcz, fundador da Companhia das Letras, o fez refletir sobre a complexidade da figura materna e a importância de resgatar suas memórias. Ao recordar um tapa que a mãe recebeu da patroa e seu subsequente sorriso constrangido, Lázaro compreendeu a força e a resiliência de dona Célia.
Após a morte da mãe, aos 19 anos, Lázaro comprou o imóvel onde ela trabalhava, em um gesto de homenagem e justiça. Sua trajetória artística foi impulsionada pelo desejo de ver o sorriso de sua mãe, a quem dedicou todos os seus esforços e conquistas. “Percebi que tudo que fiz foi para que ela tivesse orgulho. A minha meta de vida sempre foi trazer o sorriso da minha mãe”, finaliza Lázaro Ramos.
A reportagem completa com Lázaro Ramos está disponível na edição de abril da GQ Brasil, nas bancas e na loja virtual da revista: https://gq.globo.com/
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