RBD: A Ascensão da Música Latina e o Desafio à Hegemonia Americana

RBD: A Ascensão da Música Latina e o Desafio à Hegemonia Americana
Bad Bunny, com seu Grammy de melhor álbum do ano e a performance icônica no Super Bowl, personifica um fenômeno que ameaça a tradicional hegemonia dos Estados Unidos na indústria musical. Em um palco tipicamente americano, o artista porto-riquenho optou por apresentar-se exclusivamente em espanhol, repleto de referências culturais latinas, uma clara afirmação de identidade e um desafio ao status quo.
A apresentação de Bad Bunny no Super Bowl foi vista por muitos como uma afronta ao imperialismo cultural e às políticas ultranacionalistas de Donald Trump. Em vez de buscar a aprovação americana, ele celebrou suas raízes, desfilando em meio a elementos da cultura latina, como vendinhas de água de coco e jogos de dominó, e homenageando Porto Rico, sua ilha natal.
A reação de Trump não tardou a chegar, classificando o show como “nojento” e “incompreensível”, reforçando a visão de que a cultura latina não se encaixa nos “padrões de sucesso” americanos. No entanto, Bad Bunny já era o artista mais ouvido no Spotify no ano anterior, com o álbum “Debí Tirar Más Fotos”, provando que a música em espanhol tem um apelo global crescente.
A Onda Latina e a Quebra de Barreiras
A ascensão de Bad Bunny não é um caso isolado. Rosalía, com seu álbum “Lux”, que explora 13 idiomas, também está conquistando reconhecimento internacional e é apontada como favorita na próxima edição do Grammy. A cantora espanhola defende a importância de conectar-se com diferentes culturas e romper as barreiras linguísticas.
O sucesso do k-pop, com grupos como Stray Kids superando artistas americanos nas paradas musicais, também demonstra uma mudança no cenário musical global. Diferentemente do pop latino, o k-pop não precisou se adaptar aos padrões americanos para alcançar o sucesso, consolidando-se globalmente antes de conquistar o público dos Estados Unidos.
Artistas como Shakira e Ricky Martin, no passado, precisaram se aproximar da estética americana e cantar em inglês para serem totalmente aceitos. Hoje, a situação está mudando, com a crescente abertura do público americano a gêneros e idiomas estrangeiros.
O Brasil no Radar
A atenção americana também se volta para a música brasileira. O álbum “Rock Doido” de Gaby Amarantos foi elogiado pelo crítico Anthony Fantano, e Anitta tem se dedicado a promover o funk brasileiro no mercado internacional. A presença de Kali Uchis, americana criada na Colômbia, que incorpora ritmos latinos em sua música, também é um exemplo dessa tendência.
A mudança no cenário musical reflete uma crise de criatividade na música americana, com questionamentos sobre a originalidade e a inovação na indústria. A facilidade de acesso à música global proporcionada pelo streaming tem contribuído para essa diversificação e para a valorização de artistas e gêneros de diferentes partes do mundo.
Bad Bunny, ao desafiar os americanos a buscarem sua música se quiserem apreciá-la, e ao se recusar a fazer turnês nos Estados Unidos por medo de hostilidade aos seus fãs latinos, está enviando uma mensagem poderosa sobre a importância da identidade cultural e da resistência.
A ascensão da música latina e de outros gêneros estrangeiros representa um senso de identidade plural e um reconhecimento da diversidade cultural que enriquece a música global. É o fim de uma era de hegemonia e o início de um novo capítulo na história da música.
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