Valerie Perrine: A Trajetória Improvável de Uma Atriz Singular

Valerie Perrine: Uma Vida Além dos Holofotes
Valerie Perrine, uma atriz que merece mais do que uma simples nota de rodapé na história do cinema, faleceu aos 82 anos, após uma longa batalha contra a doença de Parkinson. Sua partida deixa um legado de performances memoráveis e uma vida repleta de reviravoltas inesperadas.
Perrine nunca se casou e deixa para trás seu irmão, Kenneth, e uma filmografia genuinamente peculiar. A história de Valerie é a prova de que o destino, por vezes, nos leva por caminhos que jamais imaginamos.
De Showgirl a Atriz: Um Acaso do Destino
Antes da fama, Valerie era uma showgirl de sucesso em Las Vegas, com um salário de $800 por semana no Stardust, no show Lido de Paris. Uma vida confortável e promissora, que foi abruptamente interrompida pela tragédia. A morte de seu noivo em um acidente de arma de fogo e o assassinato de Jay Sebring, seu namorado, pela Família Manson (em uma noite que ela escapou por ter que trabalhar), moldaram seu futuro de maneira drástica.
Foi em uma festa que um agente de elenco a descobriu, ouvindo uma de suas conversas telefônicas. Intrigado, ele perguntou se ela já havia atuado. A resposta foi um sonoro não. Mas, ao ser questionada se poderia, ela respondeu com um ousado sim. A única foto que possuía era uma imagem de showgirl, que enviou sem hesitar. Para sua surpresa, conseguiu o papel em Slaughterhouse-Five.
O Reconhecimento e os Papéis Icônicos
A carreira de Valerie Perrine decolou em direções inesperadas. Bob Fosse a escolheu para interpretar Honey Bruce, a esposa viciada em drogas do comediante Lenny Bruce, no filme Lenny (1974), ao lado de Dustin Hoffman. Sua atuação lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, um BAFTA e uma indicação ao Oscar, perdendo para Ellen Burstyn.
Sua técnica era instintiva, sem aulas de atuação ou métodos elaborados. Ela simplesmente aprendia as falas, entrava no set e buscava memórias dolorosas para dar vida à personagem. A cena de choro com Hoffman foi construída a partir da lembrança de um antigo amor.
Em 1978, ela conquistou o coração do público como Eve Teschmacher, a secretária de Lex Luthor em Superman, e reprisou o papel na sequência. A frase “MISS TESCHMACHER!”, gritada à la Gene Hackman, se tornou uma constante em suas ruas, algo que ela levava com bom humor.
Altos e Baixos: A Resiliência de uma Artista
Apesar do sucesso, a participação no filme Can’t Stop the Music (1980), com o Village People e Caitlyn Jenner, foi um desastre crítico que a levou a se mudar para a Europa. Ela mesma admitiu que o filme prejudicou sua carreira, mas continuou trabalhando, atuando ao lado de Jack Nicholson em The Border, Robert Redford em The Electric Horseman e Michael Caine em Water, a quem considerava a pessoa mais gentil com quem já havia trabalhado.
Valerie Perrine nunca alcançou o estrelato máximo que parecia possível no início dos anos 70, mas deixou sua marca como uma artista singular, engraçada, desinibida e autêntica. Sua vida, repleta de acasos e tragédias, parece saída de um romance improvável. A showgirl acidental, a atriz improvável, a mulher que escapou dos assassinatos da Família Manson por causa do trabalho. Uma história extraordinária.
Descanse em paz, Valerie.
Fonte: That Eric Alper
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