André Agassi: A Exposição na Era Digital e a Busca pela Identidade

André Agassi: Da Blindagem à Era das Redes Sociais
André Agassi, um dos primeiros tenistas a transcender o esporte e se tornar um ícone cultural, reflete sobre a crescente exposição dos atletas na era digital. Em contraste com sua própria experiência, onde a “blindagem” se resumia a evitar a leitura de jornais, a nova geração, como o promissor brasileiro João Fonseca, enfrenta um nível de escrutínio público sem precedentes.
“Para mim, era simplesmente não ler o jornal e conseguia me proteger de ter que lidar com isso. Tenho certeza de que é mais difícil hoje em dia”, afirmou Agassi ao Estadão, durante sua visita ao Brasil para a cerimônia de entrega do troféu do Rio Open. O ex-tenista recorda que, em seus tempos, a crítica podia ser “chocantemente cruel”, citando um exemplo de um jornalista questionando seu valor como atleta.
A Transformação de um ‘Bad Boy’ em Filantropo
Aos 55 anos, Agassi abandonou a imagem de “bad boy” e dedica-se a palestras, eventos corporativos e à filantropia através da Andre Agassi Foundation for Education, fundada em 1994. A preocupação com a imagem, que o levou a usar apliques para disfarçar a calvície, reflete o perigo de viver sob o julgamento constante dos outros.
“A medida que crescemos, a condição humana nos leva à aceitação da própria identidade. Eu tive que lidar com isso na vida pública, mas apenas com jornais e mídia tradicional, não com todas as redes sociais”, pondera Agassi. Ele reconhece o potencial das redes sociais como ferramenta para o bem, mas alerta para os perigos de se deixar definir pelas opiniões alheias.
Redes Sociais: Uma Faca de Dois Gumes
Agassi não é contra as redes sociais, utilizando-as inclusive para compartilhar conteúdo, como a análise de seus antigos looks dos anos 90. No entanto, ele enfatiza a necessidade de disciplina para se proteger da pressão de corresponder às expectativas dos outros. “Entenda que você pode usar isso para o bem, mas não pode estar atrelado à sua identidade”, aconselha aos jovens atletas.
Um Documentário para as Novas Gerações
Buscando entender as novas gerações, Agassi está produzindo um documentário sobre sua vida, com mais de 60 horas de material gravado, que será lançado pela Apple TV. A iniciativa surge após o sucesso de sua autobiografia, lançada em 2009, onde ele revelou o uso de drogas e seu ódio pelo tênis.
“Percebi que minhas experiências são relevantes para muitas áreas da vida, como saúde mental e desenvolvimento infantil. E percebi que a plataforma pode alcançar dezenas de milhões de pessoas”, explica Agassi, notando que a nova geração lê menos e se conecta mais através de vídeos.
Reconciliação com o Tênis e Gratidão
O ódio que Agassi já sentiu pelo tênis deu lugar à gratidão. Ele reconhece a importância do esporte em sua vida e busca retribuir, mesmo que de maneiras diferentes. “Conforme você envelhece, se você não vive com mais gratidão, você está fazendo algo errado”, conclui o ex-tenista, demonstrando uma nova perspectiva sobre sua trajetória.
Fonte: Estadão
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