Cooper Flagg: A Ascensão Meteórica e a Rivalidade Amigável com Kon Knueppel na NBA

Cooper Flagg: A Ascensão Meteórica e a Rivalidade Amigável com Kon Knueppel na NBA
Em um jogo de pré-temporada em outubro, a rivalidade amigável entre Cooper Flagg, do Dallas Mavericks, e Kon Knueppel, do Charlotte Hornets, começou a se desenhar. Ex-companheiros de equipe em Duke, os dois jovens talentos se enfrentaram pela primeira vez como oponentes na NBA. Poucos sabiam, mas um simples treino de pré-temporada já prenunciava o futuro brilhante de ambos.
Antes de se tornarem estrelas da NBA e favoritos ao prêmio de Rookie of the Year, Flagg e Knueppel eram pilares de uma das classes de recrutamento mais promissoras de Duke. Flagg já era conhecido nacionalmente, inclusive tendo se destacado em treinos com lendas como LeBron James e Steph Curry na seleção americana.
“A lenda de Cooper Flagg” – como descreve Rachel Baker, gerente geral de Duke – “o precedeu um pouco antes mesmo de chegar aqui”. Já Knueppel, embora tenha chamado a atenção de olheiros da NBA durante suas passagens por Durham, não era tão badalado quanto Flagg, até ser selecionado como a quarta escolha do Draft de 2025 pelo Charlotte Hornets.
A Dinâmica em Duke
Não surpreendentemente, Flagg ditava o ritmo nos treinos de Duke, mesmo com apenas 17 anos. Sua energia contagiante e competitividade impulsionavam a equipe, que chegou ao Final Four e se tornou uma das melhores do basquete universitário. No entanto, em um treino específico, Flagg não estava em sua melhor forma. Quem o confrontou? Knueppel, que não hesitou em dizer ao futuro primeiro selecionado do draft e jogador do ano: “Acorda, Cooper Flagg!”
“Cooper o encarou, olho no olho, e disse: ‘Pode deixar’”, recorda o técnico Jon Scheyer. “E Cooper dominou o restante do treino.” Scheyer, campeão nacional como jogador em 2010, ficou impressionado com a atitude de Knueppel. “É raro ver jovens jogadores se confrontarem dessa forma. Gerald Henderson e eu chegamos ao ponto de nos insultarmos semanalmente. Era normal, você aprende a lidar com isso, mas isso não acontece mais.”
A atitude de Knueppel foi um sinal do que estava por vir. “Lembro de Jon saindo e dizendo: ‘Isso é incrível!’ depois que Kon disse para Cooper se concentrar”, conta Baker. “Ele disse: ‘É tudo o que você quer em uma equipe.’”
O Primeiro Confronto na NBA
Na última quinta-feira, os ex-companheiros de Duke e de quarto se enfrentaram pela primeira vez na NBA, com o Dallas Mavericks recebendo o Charlotte Hornets. Flagg lidera o Mavericks em pontos, rebotes e assistências, demonstrando sua versatilidade. Knueppel, por sua vez, tem uma média de 18,7 pontos por jogo e se destaca como um dos melhores arremessadores de três pontos da liga, com 153 bolas convertidas.
“É justo, considerando tudo o que eles passaram, que a disputa pelo prêmio de Rookie of the Year se resuma a eles”, afirma Scheyer. “É apenas natural. Acho que é lindo.”
Além das Quadras
A história de Flagg vai além das quadras. Durante um período de treinamento com a seleção americana em Las Vegas, Baker percebeu o quanto Flagg era um garoto normal. Ela usou seu passe de acompanhante para levá-lo a uma sala VIP da Delta e pagou a conta em um restaurante Chick-fil-A.
“Talvez uma ou duas pessoas tenham perguntado se ele era Cooper Flagg”, relata Baker. “E ele sempre respondia: ‘Não, sou Ace’ (seu irmão gêmeo, que joga na Universidade de Maine), o que é muito típico dele.”
Sua performance em Las Vegas, enfrentando jogadores como Devin Booker, elevou ainda mais seu perfil. “Você pode ver o quanto ele quer vencer”, disse Booker. Flagg era considerado o favorito ao primeiro lugar no draft antes mesmo de jogar em Duke.
Personalidades Complementares
Enquanto Flagg se destacava em Duke, Knueppel também se mantinha humilde, mesmo com seu valor no draft aumentando. “A melhor forma de descrevê-los é como almas antigas”, diz Baker. “Em um mundo obcecado por redes sociais, tivemos dois caras que não se importavam com a internet.”
Flagg se divertia assistindo à série “Suits” e jogando nove buracos de golfe quando podia. Knueppel, por outro lado, era um apaixonado por história do esporte, com seu quarto decorado com capas antigas da Sports Illustrated, e ouvia podcasts como “The Bill Simmons Podcast”.
Durante o processo de recrutamento, Scheyer descobriu o amor de Knueppel pela história do esporte em um jantar com o técnico assistente Chris Carrawell. Eles jogaram um jogo, alternando nomes de campeões da NBA e do NCAA em ordem reversa, começando em 2023. Knueppel venceu, demonstrando seu vasto conhecimento.
“Kon ganhou”, diz Scheyer, “porque Kon sabe tudo.”
“Não é só basquete”, acrescenta Flagg. “Futebol americano, beisebol. Ele sabe muito sobre esportes. Ele é um guru.”
Uma Amizade Duradoura
Flagg e Knueppel, apesar de suas rotinas diferentes, tinham muito em comum. Ambos cresceram em lugares frios e em famílias grandes, com apenas filhos homens. Flagg tem um irmão mais velho, Hunter, e um irmão gêmeo, Ace. Knueppel é o mais velho de cinco irmãos, todos com nomes que começam com a letra “K”.
Na quadra, Flagg e Knueppel se complementavam perfeitamente. Flagg era imparável no ataque, enquanto Knueppel era um arremessador letal e um jogador inteligente. Juntos, formaram uma das duplas mais potentes do basquete universitário.
No Draft, quando o Dallas Mavericks foi sorteado com a primeira escolha, a reação foi de surpresa e entusiasmo. Flagg estava animado com a possibilidade de jogar com Kyrie Irving e Anthony Davis, mas o momento mais emocionante foi quando o Charlotte Hornets selecionou Knueppel como a quarta escolha. Flagg pulou de seu assento em comemoração.
Mesmo após o draft, a amizade entre Flagg e Knueppel permaneceu forte. Eles se falam pelo menos uma vez por mês, mas as conversas geralmente giram em torno de suas vidas pessoais, e não de basquete. Após o jogo de pré-temporada, Flagg chamou Knueppel de “um amigo para a vida”.
A disputa pelo prêmio de Rookie of the Year é acirrada, com Knueppel se destacando como um arremessador e Flagg como um defensor versátil. No entanto, aqueles que os conhecem bem preveem que não haverá rivalidade entre os dois. “Você não encontraria duas pessoas que são maiores fãs uma da outra”, diz Scheyer. “Eles se apoiam e valorizam o que passaram juntos. É isso que torna essa história tão especial.”
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