Cusco: A Conquista Rubro-Negra na Altitude e o Desafio Atual na Libertadores

Cusco: Um Palco de Glórias e Desafios para o Flamengo
Por Thiago Lima — Cusco, Peru. Em 7 de abril de 2026, relembramos um feito memorável do Flamengo: uma vitória impressionante por 3 a 0 contra o Cienciano em 2008, em um dos estádios mais desafiadores da América do Sul, o Garcilaso de la Veja, em Cusco, Peru, localizado a impressionantes 3.350 metros acima do nível do mar.
A Dificuldade da Altitude
Vencer na altitude é sempre um obstáculo, mas o Flamengo conseguiu superar essa barreira com maestria. Em 18 jogos disputados acima dos 2.500 metros, o Rubro-Negro enfrentou dificuldades, com metade das partidas resultando em derrota. Apenas quatro vitórias foram conquistadas, e a maioria delas por margens mínimas. Para se ter uma ideia, três dessas vitórias foram apenas por um gol de diferença, como o 2 a 1 sobre o Jorge Wilstermann em Cochabamba (Bolívia) em 1981, o 1 a 0 contra o San José em Oruro (Bolívia) em 2019, e o emocionante 3 a 2 sobre a LDU em Quito (Equador) em 2021.
A Explosão em 2008: Flamengo 3 x 0 Cienciano
Nenhuma dessas vitórias se compara ao triunfo esmagador sobre o Cienciano na Libertadores de 2008. Curiosamente, essa foi a maior vitória do Flamengo na altitude em um período financeiramente mais modesto para o clube. A equipe, liderada por Joel Santana, contava com jogadores como Bruno, Léo Moura, Fábio Luciano, Angelim, Juan, Cristian, Ibson, Kleberson, Toró, Renato Augusto e Souza.

Em entrevista ao ge, Juan relembrou o jogo: “É engraçado, tenho uns flashes. Lembro que o adversário tinha um ponta direita que deu bastante trabalho (Guizasola), jogador muito rápido, forte. O placar favoreceu, a gente fez o primeiro gol e conseguiu jogar mais posicionado. O segundo saiu de contra-ataque também, então teve toda essa estratégia para conseguir suportar bem o jogo e a altitude. Lembro muito da viagem, do trajeto bem longo, cansativo… Para esse jogo não me recordo, mas para outros fizemos treinos em piscina, movimentos embaixo d’água, sem respirar. Em outros a gente fez câmara hiperbárica, respirando ar rarefeito. São estratégias que cada comissão técnica usa.”
Um Jogo Difícil, Uma Vitória Memorável
Apesar do placar elástico, a partida não foi fácil. O Cienciano era invicto em casa há nove meses, e o primeiro tempo terminou empatado em 0 a 0 graças a defesas cruciais de Bruno. No segundo tempo, Renato Augusto abriu o placar aos 8 minutos, mas o Cienciano continuou pressionando. A expulsão de Bazalar aos 17 minutos deu uma vantagem numérica ao Flamengo, que ampliou o placar com Toró aos 32 minutos e Juan, de falta, nos acréscimos, selando a vitória por 3 a 0.
Juan comentou sobre o gol de falta: “Para o chute ao gol facilita, a bola fica mais rápida, é mais difícil para o goleiro. Ali na hora da falta estava mentalizado que ia bater no canto do goleiro. Uma bola rápida, que o ar rarefeito deixa mais rápida ainda. Não mudei tanto a batida.”
Dicas para o Presente: Enfrentando Cusco FC
Atualmente diretor de futebol do Cosmopolitano Sports, Juan compartilhou dicas para o retorno do Flamengo a Cusco: “Tem que ter controle de dosar, não querer atacar toda hora senão depois não dá para voltar, falta ar. Tem que ter esse controle e ir na hora certa. Jogar bem posicionado, fazer um grande jogo taticamente, de muita concentração, evitando desgaste físico na medida do possível. Nem tudo a gente controla, fazendo um jogo bem posicionado o Flamengo vai fazer um grande placar também.”
Na quarta-feira, o Flamengo enfrentará o Cusco FC, antigo Real Garcilaso, em busca de repetir o sucesso de 2008 e dar um passo importante na Libertadores. A altitude, mais uma vez, será um fator crucial.
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