Angola e Brasil: Parceria Agrícola Promete Impulsionar a Produção e o Comércio

Angola e Brasil: Uma Nova Era na Cooperação Agrícola
O Brasil e Angola estão prestes a firmar um acordo bilateral histórico que promete revolucionar o setor agrícola angolano. A proposta, apresentada pelo Ministro da Agricultura brasileiro, Carlos Fávaro, ao governo de Angola, prevê investimentos significativos, transferência de tecnologia e cooperação técnica, com a expectativa de oficialização em março, durante uma nova visita da delegação brasileira a Luanda.
Investimentos e Concessões de Terras
O acordo envolve um investimento estimado em US$ 120 milhões e a concessão de 20 mil hectares de terras agricultáveis em províncias angolanas para agricultores brasileiros. A iniciativa visa impulsionar a produção agrícola em Angola, aproveitando a expertise e a tecnologia brasileira.
A proposta foi apresentada a importantes autoridades angolanas, incluindo o Ministro do Estado para a Coordenação Econômica, José de Lima Massano, a Ministra das Finanças, Vera Daves, o Ministro em exercício da Agricultura e Florestas, João Cunha, e representantes do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) e do Fundo Soberano de Angola.
Aprovação e Financiamento do Projeto
O Itamaraty já aprovou a proposta, que agora será avaliada pelo governo angolano. O modelo de financiamento prevê aportes de recursos financeiros de ambos os países para financiar a produção agrícola em Angola por agricultores brasileiros e garantir a segurança dos investimentos.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Fundo Soberano de Angola desempenharão um papel crucial no financiamento do projeto. O Banco do Brasil também participará, operacionalizando recursos por meio do Programa de Financiamento às Exportações (Proex). O Fundo Soberano de Angola deverá contribuir com 17% do montante total.
Custos de Produção e Participação dos Agricultores
O custeio das lavouras será realizado por meio de bancos angolanos, com um aporte de 5% do valor e cobertura das garantias, além da contribuição financeira dos agricultores participantes, estimada em 10% do total.
Participação Brasileira e Áreas de Cultivo
Inicialmente, o projeto contará com a participação de cerca de 30 agricultores brasileiros, principalmente dos estados de Mato Grosso e Bahia. Em maio de 2025, um grupo de produtores visitou Angola para avaliar as características da região.
As áreas concedidas para produção estarão localizadas nas províncias do Cuanza Norte, Uíge e Malanje. A expectativa inicial era de concessão de até 500 mil hectares, mas o projeto atual foca em 20 mil hectares para iniciar as operações.
Oportunidades e Perspectivas Futuras
O Ministro Fávaro destacou o potencial de Angola para se tornar um grande produtor mundial de alimentos, com oportunidades para a produção de milho, soja, algodão, carne bovina e suína. Além disso, o projeto prevê investimentos em infraestrutura, como armazéns e sistemas de irrigação.
A Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do Grupo Banco Mundial, demonstrou interesse em financiar as operações previstas no acordo bilateral.
Angola: Uma Nova Fronteira Agrícola
Com uma população de 37 milhões de habitantes, que deve dobrar até 2050, Angola depende da importação de alimentos. O país possui cerca de 35 milhões de hectares de áreas agricultáveis ainda não exploradas, o que o torna uma promissora fronteira agrícola mundial. As condições climáticas e do solo em algumas regiões são semelhantes ao Cerrado brasileiro, com potencial para o cultivo de grãos.
Apesar dos desafios econômicos e da infraestrutura precária, o acordo bilateral busca garantir segurança jurídica e incentivar investimentos no setor agrícola angolano.
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