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Banco do Brasil: Inadimplência em Alta e Impacto no Agronegócio – O Que Investidores Precisam Saber

Banco do Brasil: Inadimplência em Alta e Impacto no Agronegócio – O Que Investidores Precisam Saber

temp_image_1771075718.158979 Banco do Brasil: Inadimplência em Alta e Impacto no Agronegócio - O Que Investidores Precisam Saber



Banco do Brasil: Inadimplência em Alta e Impacto no Agronegócio

Banco do Brasil: Alerta com a Inadimplência Crescente

Apesar de um lucro líquido de R$ 20,7 bilhões em 2025, o Banco do Brasil (BB) tem chamado a atenção do mercado financeiro devido ao aumento preocupante da inadimplência. Um calote de R$ 3,6 bilhões no quarto trimestre, originado de uma única empresa, acendeu um sinal de alerta, revelando um problema mais amplo: o aumento dos atrasos no pagamento de empréstimos em um cenário de juros elevados no Brasil.

O Que Aconteceu com a Inadimplência do BB?

Segundo o balanço do banco, a operação com um cliente enfrentou atrasos no final de 2025, foi regularizada em janeiro de 2026 e posteriormente cedida a terceiros. Contudo, o incidente expôs a deterioração da qualidade do crédito, com o índice de inadimplência acima de 90 dias saltando para 5,17% no quarto trimestre, comparado aos 4,51% do trimestre anterior e 3,16% do ano anterior. Excluindo o impacto do calote, a taxa seria de 4,88%.

Para o investidor, esse aumento significa um risco maior de perdas, já que uma parcela crescente de clientes está demorando mais de três meses para quitar suas dívidas. O Banco do Brasil encerrou 2025 com a maior taxa de inadimplência entre os grandes bancos tradicionais:

  • Banco do Brasil: 5,2%
  • Itaú Unibanco: 2,4%
  • Santander Brasil: 3,7%
  • Bradesco: 4,1%
  • Nubank: 6,6% (2º trimestre)

Agronegócio: O Principal Motor da Inadimplência

O principal responsável por esse cenário é o agronegócio. O segmento rural apresentou a maior deterioração na qualidade do crédito, com uma inadimplência de 6,1% no quarto trimestre, um aumento significativo em relação ao ano anterior. Esse desempenho reflete as dificuldades financeiras no campo, agravadas por eventos climáticos adversos (secas e enchentes) e pelo aumento do endividamento dos produtores.

O Banco do Brasil, historicamente ligado ao agronegócio e o maior financiador do setor no país (respondendo por quase metade do crédito concedido ao agro), está particularmente exposto a essas dificuldades. Em dezembro de 2025, a carteira agro do BB somava R$ 406,1 bilhões, representando 31,3% da carteira total.

No Plano Safra 2025/2026, foram desembolsados mais de R$ 116 bilhões, demonstrando a importância do banco para o setor. No entanto, essa liderança no financiamento também implica em maior vulnerabilidade em tempos de crise.

Recuperação Judicial no Agronegócio: Um Sinal de Alerta

Dados da consultoria RGF indicam que o número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu um recorde no quarto trimestre de 2025, com 5.680 companhias nessa situação. Embora o comércio e os serviços concentrem o maior número de casos, o agronegócio é o principal ponto de alerta devido à rapidez da piora. O setor apresenta o maior índice proporcional de recuperações judiciais, com 13,53 empresas em recuperação judicial a cada mil ativas, bem acima da média nacional de 2,13.

Especialistas da RGF ressaltam que o produtor rural, diferentemente do varejo, não está acostumado a lidar com a falta de liquidez, o que pode levar a perdas significativas em momentos de crise.

O Que Esperar para 2026?

Diante desse cenário, o Banco do Brasil lançou o programa BB Regulariza Dívidas Agro, que oferece a renegociação de débitos com prazos de até nove anos. Até dezembro, R$ 22,6 bilhões haviam sido renegociados com mais de 15 mil produtores. Analistas do BTG Pactual preveem uma normalização gradual da inadimplência no agronegócio, com o próprio banco projetando um crescimento modesto da carteira agro em 2026, entre -2% e +2%.

Especialistas enfatizam a importância de manter reservas adequadas e de acompanhar rigorosamente a concentração de crédito, pois um único cliente pode distorcer os números. A qualidade dos empréstimos e a atenção redobrada à gestão de riscos são cruciais para evitar novas surpresas.

Fontes: Banco Central do Brasil, RGF Consultoria


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