Banco Pleno: Liquidação Extrajudicial e o Rastro de Controvérsias

Banco Pleno: O Fim de uma Instituição Envolvida em Controvérsias
O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno (anteriormente conhecido como Voiter), marcando o desfecho de uma saga repleta de investigações e dificuldades financeiras. A instituição, que já pertenceu ao conglomerado do Master, alvo de suspeitas de fraudes, encerra suas atividades em meio a um cenário de instabilidade no mercado financeiro.
A Trajetória Conturbada do Banco Pleno
Augusto Lima, atual proprietário do Pleno, assumiu o controle do banco em julho de 2025, após se desligar de Daniel Vorcaro. Ambos foram presos durante a Operação Compliance Zero, sendo posteriormente liberados com o uso de tornozeleiras eletrônicas. O Banco Pleno enfrentava sérias dificuldades de liquidez e buscava desesperadamente um investidor para garantir sua continuidade.
O BC proibiu o banco de emitir novos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) como forma de financiamento, o que agravou ainda mais a situação. No mercado secundário, os títulos chegaram a ser negociados com um ágio significativo, evidenciando a desconfiança dos investidores.
Dados Financeiros Revelam a Gravidade da Crise
De acordo com os últimos dados divulgados pelo BC, em junho de 2025, o ex-Voiter possuía um patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e um lucro líquido de R$ 169,3 milhões. No entanto, o passivo da instituição atingia a expressiva marca de R$ 6,68 bilhões, sendo que a maior parte dessa dívida era composta por CDBs, totalizando R$ 5,4 bilhões.
A Decisão do Banco Central e as Implicações
Em nota oficial, o BC informou que o conglomerado do Pleno representa apenas uma pequena fração do ativo total e das captações do Sistema Financeiro Nacional (0,04% e 0,05%, respectivamente). Contudo, a ausência de novas emissões de CDBs tornou o pagamento dos compromissos do banco insustentável.
“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade”, explicou o BC.
O Banco Central garantiu que continuará investigando as responsabilidades e poderá aplicar sanções administrativas e comunicar as autoridades competentes, conforme previsto na legislação.
O Caso Master e Outras Liquidações
A liquidação do Banco Pleno ocorre em um contexto de instabilidade no setor financeiro, com a recente liquidação do Master, Master de Investimento, Master Corretora e Letsbank. Além disso, a administradora de fundos Reag e o Will Bank também foram liquidados nos últimos meses.
A Ascensão e Queda de Augusto Lima
A trajetória de Augusto Lima é marcada por uma ascensão meteórica, impulsionada pela criação do Credcesta em 2018. Em pouco tempo, expandiu seus negócios por diversos estados e municípios, mas acabou envolvido em investigações por suspeitas de fraudes financeiras.
Segundo informações da Folha de S.Paulo, a trilha que levou Lima ao centro do escândalo envolve estruturas empresariais opacas, teias societárias complexas e articulações políticas. Ele também teria utilizado fundos em seus negócios e estabelecido laços com a Reag, instituição de fundos de investimento que também foi alvo de investigações.
Para saber mais sobre o caso, consulte a reportagem completa da Folha de S.Paulo.
O Futuro do Setor Financeiro
A liquidação do Banco Pleno serve como um alerta para a necessidade de maior rigor na fiscalização e regulamentação do setor financeiro, a fim de proteger os investidores e garantir a estabilidade do sistema.
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