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Daniel Vorcaro e Banco Master: Soltura e os Bastidores da Operação Compliance Zero

Daniel Vorcaro e Banco Master: Soltura e os Bastidores da Operação Compliance Zero

temp_image_1764394123.638703 Daniel Vorcaro e Banco Master: Soltura e os Bastidores da Operação Compliance Zero

Daniel Vorcaro e Banco Master: Soltura e os Bastidores da Operação Compliance Zero

Uma reviravolta agitou o cenário financeiro e jurídico brasileiro: o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi libertado de sua prisão preventiva por meio de uma liminar em habeas corpus. Preso na semana passada pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero, Vorcaro agora enfrenta novas restrições, mas está fora das grades, junto com outros quatro investigados.

A Operação Compliance Zero e as Acusações Chocantes

A prisão de Daniel Vorcaro, no dia 17, ocorreu em um momento crítico, quando ele tentava embarcar em seu jato particular rumo a Dubai, partindo de Guarulhos. A Polícia Federal, que deflagrou a Operação Compliance Zero, investiga o banqueiro por supostas fraudes envolvendo operações bilionárias com o Banco Regional de Brasília (BRB). As buscas revelaram um patrimônio de luxo: carros de alta gama, valiosas obras de arte e uma quantia de R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo apreendidos.

Os advogados de defesa, Pierpaolo Bottini, Roberto Podval, Walfrido Wardt e Sergio Leonardo, celebraram a decisão. “A Justiça reconheceu a ilegalidade de uma prisão que não se sustentava sob qualquer aspecto jurídico”, afirmou Bottini, destacando o alívio para seus clientes.

A Decisão Judicial: Liberdade com Restrições

A liminar concedida pela desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), determinou a soltura de Vorcaro e dos demais investigados: Augusto Ferreira Lima, Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribero da Silva. No entanto, a liberdade não é plena. O grupo terá de usar tornozeleira eletrônica, está proibido de manter contato entre si e seus passaportes permanecem retidos pela PF.

Em sua análise, a magistrada reconheceu a gravidade dos fatos investigados, que apontam para fraudes em operações que somam R$ 12,2 bilhões. Contudo, Solange Salgado ponderou que os delitos atribuídos não envolvem violência ou grave ameaça à pessoa. Além disso, a juíza não viu “demonstração de periculosidade acentuada ou de risco atual à ordem pública que, de forma excepcional, justifique a manutenção da medida extrema da prisão preventiva”. Ela concluiu que medidas cautelares, como a retenção do passaporte e a monitoração eletrônica, seriam suficientes para mitigar o periculum libertatis e atender aos fins da cautela, respeitando o caráter subsidiário e excepcional da prisão antecipada.

Ascensão e Queda do Banco Master

A prisão de Daniel Vorcaro veio em um momento de turbulência para o Banco Master. Na mesma semana, a instituição anunciou uma proposta de venda de sua operação para um consórcio de investidores, incluindo o grupo Fictor e empresários dos Emirados Árabes. Contudo, a prisão do banqueiro foi seguida pela liquidação do Banco Master pelo Banco Central, um golpe devastador para a instituição.

Vorcaro, um novato na agitada Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, chamou a atenção do mercado com sua estratégia agressiva. Aos 42 anos, o mineiro assumiu o controle do Banco Máxima em 2019, rebatizando-o como Master em 2021. Sua meta era um crescimento acelerado, impulsionado pela venda de CDBs com alta remuneração. Ele também surpreendeu o setor com aquisições notáveis, como 80% do projeto Fasano Itaim em 2022, e, em 2024, os bancos Voiter e Will Bank.

Conexões e Controvérsias

A influência de Vorcaro transcendeu o mercado financeiro, estendendo-se ao cenário político. Ele se aproximou de figuras proeminentes, como o senador Ciro Nogueira (PP), Antonio Rueda (União Brasil) e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

O Banco Master também contou com a consultoria de nomes de peso: Ricardo Lewandowski, no intervalo entre sua aposentadoria no STF e o comando do Ministério da Justiça; os ex-presidentes do Banco Central, Gustavo Loyola e Henrique Meirelles; e o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, que intermediou um encontro de Vorcaro com o presidente Lula (PT). Mais recentemente, o ex-presidente Michel Temer (MDB) foi acionado para tentar destravar o negócio com o BRB, que havia sido barrado pelo Banco Central.

Em meio às investigações, a defesa de Vorcaro apresentou um documento à Justiça indicando que sua viagem para Dubai havia sido comunicada ao Banco Central no dia de sua prisão, rebatendo a tese de tentativa de fuga. No entanto, os investigadores da PF e do Ministério Público Federal classificam esse aviso como um “simulacro” para facilitar a evasão do país.

As investigações continuam a apontar que o Master teria vendido ao BRB carteiras de crédito consignado forjadas no valor de R$ 12,2 bilhões. Por outro lado, os advogados de Vorcaro sustentam que o próprio banco, ao identificar irregularidades na documentação das operações adquiridas de terceiros, iniciou a substituição dos ativos para evitar prejuízos ao BRB.

Qual o Próximo Capítulo para Daniel Vorcaro e o Banco Master?

A soltura de Daniel Vorcaro marca um novo capítulo em uma história complexa de ascensão, controvérsia e queda. Com monitoramento eletrônico e passaporte retido, o banqueiro permanece sob o escrutínio da justiça, enquanto o futuro do que foi o Banco Master, agora liquidado, permanece incerto. O desdobramento das investigações promete continuar a revelar os bastidores de um dos casos mais comentados do mercado financeiro recente.

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