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Estadão: Risco Fiscal no Brasil e Paralelos Globais

Estadão: Risco Fiscal no Brasil e Paralelos Globais

temp_image_1771242706.242775 Estadão: Risco Fiscal no Brasil e Paralelos Globais



Estadão: Risco Fiscal no Brasil e Paralelos Globais

Estadão Alerta: O Risco Fiscal no Brasil e Lições da Economia Global

A economia mundial oferece importantes lições. A hiperinflação na Argentina demonstra os perigos de se tratar o banco central como um mero caixa eletrônico. A estagnação italiana revela as consequências de aderir a uma união monetária com dívidas preexistentes. O Brexit, por sua vez, ilustra os impactos negativos da criação de barreiras comerciais. Mas, segundo o Estadão, o alerta mais relevante para as grandes economias globais vem do Brasil.

Crescimento, Dívida e Juros Altos: O Dilema Brasileiro

O Brasil apresenta um crescimento econômico razoável, um banco central independente e um orçamento primário quase equilibrado. A dívida líquida, equivalente a 66% do PIB, é alta para os padrões de mercados emergentes, mas relativamente baixa em comparação com países desenvolvidos. No entanto, o país enfrenta um problema crucial: os juros altíssimos necessários para honrar suas dívidas.

Com a taxa básica de juros fixada em 15% para controlar a inflação, o governo brasileiro provavelmente precisará tomar emprestado cerca de 8% do PIB anualmente apenas para pagar os juros. A menos que as taxas de juros caiam drasticamente, a dívida pública continuará a crescer.

O Impacto das Eleições e o Ajuste Fiscal

De acordo com o economista Marcos Mendes, a probabilidade de um ajuste fiscal significativo é nula caso Lula seja reeleito. Se a oposição vencer, o ajuste ainda será insuficiente. A situação fiscal precária do Brasil contrasta com a dos países ricos, que desfrutam de custos de empréstimo muito menores.

Para manter sua dívida estável, o Brasil precisaria de um superávit primário de cerca de 5%, caso as taxas de juros não diminuam. Essa necessidade expõe a fragilidade da economia brasileira e a urgência de reformas estruturais.

Instabilidade Institucional e Legado Inflacionário

As altas taxas de juros no Brasil são resultado de uma combinação de fatores, incluindo a instabilidade institucional – evidenciada pela tentativa de golpe de 2022 – e um histórico de inflação. Mesmo após três décadas de um sistema bancário central tecnocrático, a inflação ainda é suscetível a oscilações devido ao legado da hiperinflação das décadas de 1980 e 1990 e à crise econômica de meados da década de 2010.

O Envelhecimento da População e a Previdência Social

A longo prazo, o orçamento brasileiro enfrenta um desafio ainda maior: os gastos com a Previdência Social. Atualmente, o governo gasta 10% do PIB com previdência, mas, sem reformas, esse valor poderá ultrapassar o dos países mais ricos e com populações mais idosas até 2050. A Constituição brasileira protege a previdência, dificultando o equilíbrio das contas públicas.

A “Brasilização” da Economia Global

O Estadão alerta que os países ricos estão apresentando os primeiros sintomas da “Brasilização”, com instituições enfraquecidas, inflação crescente e gastos com previdência e saúde em alta. A politização do Departamento de Justiça nos EUA, as tentativas de controle do Federal Reserve e a discussão sobre a federalização das eleições são exemplos dessa tendência preocupante.

A escolha que se apresenta ao Brasil é angustiante: austeridade profunda ou uma espiral de dívida e juros. Um cenário que, se não for evitado, poderá ter consequências devastadoras para a economia do país.

Fonte: Estadão


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