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FedEx no Brasil: Crise Logística e o Futuro das Entregas

FedEx no Brasil: Crise Logística e o Futuro das Entregas

temp_image_1769215099.663328 FedEx no Brasil: Crise Logística e o Futuro das Entregas



FedEx no Brasil: Crise Logística e o Futuro das Entregas

FedEx Abandona o Mercado Doméstico: Um Sintoma da Crise Logística Brasileira

O recente anúncio da FedEx, gigante global da logística, sobre o encerramento de suas operações de entrega doméstica no Brasil, ecoa uma tendência preocupante. A saída da empresa é apenas o mais recente capítulo de uma série de transportadoras que deixaram o país, pressionadas por uma combinação complexa de fatores. A decisão da FedEx expõe a fragilidade do sistema logístico brasileiro, marcado por altos custos, infraestrutura defasada e crescente insegurança.

Os Desafios Estruturais da Logística no Brasil

Segundo o Índice de Desempenho Logístico do Banco Mundial, o Brasil ocupa uma posição desfavorável, com nota 3,2 em uma escala que vai até 5. Especialistas, como Cláudio Frischtak, ex-economista do Banco Mundial, ressaltam que a saída da FedEx não é um caso isolado. A complexidade tributária e o subinvestimento em infraestrutura são apontados como os principais obstáculos.

  • Subinvestimento em Infraestrutura: O Brasil investe apenas um terço do que deveria em transporte, incluindo portos, aeroportos e estradas.
  • Complexidade Tributária: A burocracia e a alta carga tributária dificultam a operação das transportadoras.
  • Insegurança: O roubo de cargas é um problema crescente, exigindo investimentos adicionais em segurança e seguro.

FedEx Reposiciona Estratégia e Foca em Entregas Internacionais

A FedEx optou por concentrar seus esforços em entregas internacionais e soluções de supply chain, áreas onde pode oferecer serviços integrados com maior previsibilidade de receita. A operação de última milha, por outro lado, envolve riscos elevados e margens de lucro muito baixas. Paulo Resende, diretor do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral (FDC), destaca que a empresa globalmente tem priorizado entregas internacionais e o atendimento B2B.

O Impacto do E-commerce na Logística Brasileira

O crescimento acelerado do comércio eletrônico tem transformado a dinâmica do setor logístico. Grandes varejistas investem em logística própria e contratam transportadoras apenas para trechos específicos, reduzindo o espaço de atuação dos operadores tradicionais. A última milha do e-commerce é cada vez mais operada por transportadoras regionais e plataformas como Mercado Livre, Amazon e Shopee, que detêm a inteligência logística.

Marco Antonio Oliveira Neves, da Tigerlog, lembra que a aquisição da Rapidão Cometa pela FedEx em 2012 não trouxe os resultados esperados, evidenciando as dificuldades de ganhar escala e rentabilidade no mercado brasileiro.

Custos Logísticos Elevados e a Escassez de Mão de Obra

O Brasil possui o maior custo logístico entre as 20 maiores economias do mundo, representando 13,85% do PIB, sem considerar os custos com estoques. Em comparação, os EUA apresentam um custo de 8,8% do PIB e a Índia, 9,8%. Além disso, há um déficit de motoristas, com muitas transportadoras enfrentando dificuldades para encontrar profissionais qualificados. A profissão perdeu atratividade devido aos baixos salários, longas jornadas de trabalho e condições precárias.

A insegurança também é um fator crítico, com um número alarmante de roubos de carga. Em 2024, foram registrados 10.478 roubos, causando prejuízos de cerca de R$ 1,2 bilhão. As indenizações pagas por seguros de transporte também aumentaram significativamente, com um crescimento de 46,5% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior.

O Futuro da Logística no Brasil

A saída da FedEx serve como um alerta para a necessidade de investimentos urgentes em infraestrutura, simplificação tributária e melhoria da segurança. O futuro da logística no Brasil dependerá da capacidade de superar esses desafios e criar um ambiente mais favorável para o desenvolvimento do setor. A concentração de mercado e a busca por estratégias de realocação por parte das empresas também são tendências a serem observadas.

Fonte: Banco Mundial


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