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Globo.com: Transformador Gigante e os Desafios da Logística Brasileira para a Arábia Saudita

Globo.com: Transformador Gigante e os Desafios da Logística Brasileira para a Arábia Saudita

temp_image_1771822073.383892 Globo.com: Transformador Gigante e os Desafios da Logística Brasileira para a Arábia Saudita



Globo.com: Transformador Gigante e os Desafios da Logística Brasileira para a Arábia Saudita

Transporte de Gigante: A Saga de um Transformador Brasileiro Rumo à Arábia Saudita

Uma operação logística monumental, reportada pelo Globo.com, mobilizou a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e paralisou trechos da Rodovia Presidente Dutra para transportar uma carga impressionante: um transformador de 540 toneladas. Fabricado em Guarulhos, São Paulo, este equipamento é o quarto de uma encomenda de 14 unidades destinadas ao ambicioso projeto Neom, uma cidade linear de 170 quilômetros na Arábia Saudita, projetada para ser totalmente alimentada por energia renovável.

Um Projeto de Futuro e a Complexidade da Logística Brasileira

O projeto Neom representa um salto em direção ao futuro, mas a jornada do transformador brasileiro até seu destino final expôs as fragilidades da infraestrutura logística do Brasil. Apesar da potência de um conjunto dessas unidades ser suficiente para alimentar metrópoles como São Paulo ou Nova York, o transporte interno revelou-se um desafio complexo.

“Nessa primeira etapa do projeto, não é nem para levar luz para nenhuma residência, é simplesmente para uma infraestrutura de uma construção de uma cidade”, explicou Alexandre Malveiro, diretor de Negócios e Transformadores da Hitachi.

A Supercarreta e os Obstáculos no Caminho

Para suportar o peso colossal, o transformador foi acomodado em uma supercarreta com 380 pneus, puxada por três potentes cavalos mecânicos. A inspeção da PRF revelou que o conjunto ultrapassava os 10 metros de largura, exigindo ajustes para adequá-lo às dimensões permitidas. O planejamento da operação consumiu um ano e meio e envolveu cerca de 50 profissionais.

Logo no início da jornada, a equipe enfrentou obstáculos inesperados, como galhos de árvores e placas de sinalização que obstruíam o caminho do gigante. A passagem pela Rodovia Dutra, uma das principais vias do país, foi cuidadosamente planejada para a madrugada, a fim de minimizar o impacto no tráfego diário de 350 mil veículos.

Imprevistos e Atrasos

  • Quebra mecânica de um dos cavalos mecânicos.
  • Restrições de horário devido ao alto fluxo de veículos nos fins de semana.
  • Custos de pedágio elevados, totalizando R$ 4.500 devido aos 50 eixos da supercarreta.

A Serra das Araras e a Escolha Estratégica do Porto

O trecho da Serra das Araras, no Rio de Janeiro, representou um dos maiores desafios da viagem. A equipe optou pelo Porto de Itaguaí (RJ) em vez do Porto de Santos (SP) devido ao congestionamento e à falta de pátios de manobra no terminal paulista. Segundo Lino Guimarães Marujo, professor de Logística da UFRJ, “O Porto de Santos já está bastante congestionado, hoje ele opera quase que na sua totalidade de capacidade”.

Na descida da serra, a velocidade foi reduzida para apenas 5 km/h para garantir a segurança da carga milionária. O motorista da supercarreta, conhecido como Macarrão, relatou a necessidade de atenção constante: “Aqui é atenção no retrovisor e no rádio. Não tem jeito”.

Infraestrutura Brasileira em Foco

Os atrasos e a complexidade da operação reacenderam o debate sobre a necessidade urgente de investimentos em ferrovias e pátios de carga no Brasil. Para o professor Lino Marujo, “Precisamos ter um modo de transporte mais sustentável e mais barato para o deslocamento dessas cargas”.

Enquanto a Arábia Saudita avança em sua modernização até 2030, impulsionada pela tecnologia brasileira, a modernização da infraestrutura brasileira ainda enfrenta obstáculos significativos.

O Próximo Passo: Embarque e o Futuro das Exportações

O embarque do transformador exigiu um sistema de compensação para evitar que o navio perdesse o equilíbrio durante o içamento da carga. Com o equipamento finalmente a bordo, a sensação de dever cumprido tomou conta da equipe. “Chegar e ver o bichão indo embora é uma satisfação muito grande”, desabafou Fabrício Verpa, gerente de logística.

Ainda faltam entregar 11 transformadores. O sucesso dessas exportações gera empregos e impostos no Brasil, mas a dificuldade logística para cumprir os prazos internacionais levou os compradores a reduzir a exigência de três para dois transformadores por navio, a fim de evitar novos atrasos.

Fonte: Globo.com


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