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Mapeia: IA Revela Padrões de Feminicídio no Ceará e Leva Jovem Brasileira à Feira de Ciências nos EUA

Mapeia: IA Revela Padrões de Feminicídio no Ceará e Leva Jovem Brasileira à Feira de Ciências nos EUA

temp_image_1774882038.427146 Mapeia: IA Revela Padrões de Feminicídio no Ceará e Leva Jovem Brasileira à Feira de Ciências nos EUA



Mapeia: IA Revela Padrões de Feminicídio no Ceará e Leva Jovem Brasileira à Feira de Ciências nos EUA

Mapeia: IA Revela Padrões de Feminicídio no Ceará e Leva Jovem Brasileira à Feira de Ciências nos EUA

Yanna Queiroz, uma jovem de 16 anos do Ceará, está prestes a representar o Brasil em um dos maiores palcos da ciência mundial: a Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), que acontecerá em Phoenix, nos Estados Unidos, em maio de 2026. Sua participação é fruto de um projeto inovador que utiliza Inteligência Artificial (IA) para analisar dados de feminicídio no estado, buscando padrões e auxiliando na prevenção dessa tragédia.

Uma Pesquisa que Mapeia a Violência

Yanna é estudante da Escola de Ensino Médio de Tempo Integral (EEMTI) Deputado Joaquim de Figueiredo Correia, em Iracema, no interior do Ceará. Em 2025, ainda no 2º ano do ensino médio, ela desenvolveu a pesquisa “Rastreando a demografia do feminicídio no Ceará (2022-2025) através do aprendizado de máquina e análise cartográfica”. O trabalho foi premiado com o 1º lugar em Ciências Sociais Aplicadas e ISEF na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), garantindo sua vaga na competição internacional.

“Eu sempre gostei muito de fazer trabalhos voltados para o social. A crescente taxa de feminicídios no Brasil, e especialmente no Ceará, me motivou a buscar entender os perfis das vítimas e o que poderia ser feito para minimizar essa violência”, explica Yanna.

Inteligência Artificial em Ação

A ferramenta desenvolvida por Yanna demonstrou uma precisão impressionante, com uma taxa de acerto de quase 99%. A análise de mais de 5 mil dados sobre crimes de feminicídio revelou informações cruciais sobre as vítimas, incluindo idade, local de residência, raça e contexto das mortes.

“Coletamos 174 registros para trabalhar com estatística e identificar os perfis das vítimas. Além disso, realizamos uma análise cartográfica para identificar as regiões mais afetadas pela violência”, detalha a jovem pesquisadora.

Os resultados da pesquisa apontaram que as vítimas de feminicídio no Ceará são, em sua maioria, mulheres jovens, entre 20 e 30 anos, e que a maioria das vítimas são mulheres pretas e pardas. A principal causa identificada foi a violência doméstica, praticada por ex-cônjuges ou cônjuges atuais.

Parceria e Orientação

O projeto de Yanna contou com a orientação de Helyson Braz, professor e estudante de doutorado na Universidade Federal do Ceará (UFC). A parceria entre a UFC e a EEMTI Deputado Joaquim de Figueiredo Correia, através do Laboratório de Farmacologia de Venenos e Toxinas (LAFAVET), foi fundamental para o desenvolvimento da pesquisa.

“O objetivo era entender os padrões demográficos dos feminicídios no Ceará, utilizando dados de notícias, boletins de ocorrência e outros registros. Acreditamos que essa análise pode auxiliar o poder público na criação de políticas públicas mais eficazes para combater a violência contra a mulher”, explica Helyson.

Impacto e Futuro

A equipe responsável pela pesquisa espera que os dados coletados possam ser utilizados para aprimorar a segurança das mulheres em áreas de maior risco, como a construção de novas delegacias de apoio à mulher e a implementação de projetos como a Casa da Mulher Brasileira.

A FEBRACE, que premiou o projeto de Yanna, é a maior competição de ciências pré-universitária do mundo, reunindo jovens cientistas de diversos países. A professora Roseli de Deus Lopes, coordenadora geral da FEBRACE, destaca que os trabalhos premiados refletem o potencial transformador da educação e da investigação científica.

Yanna, que pretende cursar medicina, demonstra paixão por causas sociais e acredita que a ciência pode ser uma ferramenta poderosa para construir um futuro mais justo e igualitário.

Saiba mais sobre a ISEF: https://www.societyforscience.org/isef/


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