Páscoa 2025: Preços do Chocolate em Alta Apesar da Queda do Cacau

Páscoa 2025: O Descompasso Entre o Cacau e o Chocolate
A Páscoa 2025 se aproxima, e uma questão intrigante paira no ar: por que o preço do chocolate continua alto, mesmo com a significativa queda nos preços do cacau no Brasil e no mercado internacional? A resposta é complexa e envolve desde estratégias da indústria até fatores climáticos e econômicos.
A Queda do Cacau: Um Alívio no Campo
Produtores de cacau, especialmente na Bahia, estão enfrentando uma realidade diferente daquela vista no ano anterior. Enquanto em março de 2024 a arroba do cacau era negociada por R$ 718, atualmente, o valor médio caiu para cerca de R$ 167. No Pará, a queda é ainda mais expressiva, com o quilo do cacau sendo vendido por apenas R$ 9,50, em comparação com os R$ 44 do ano passado. Essa redução nos preços, no entanto, não se reflete no valor final do chocolate nas prateleiras.
Inflação do Chocolate: Um Peso no Bolso do Consumidor
De acordo com dados do IBGE, a inflação do chocolate em barra e de bombons acumulou um aumento de 24,8% nos últimos 12 meses. Esse cenário contrasta com a queda dos preços do cacau no campo, gerando questionamentos sobre a formação dos preços e a margem de lucro da indústria.
O Que Explica Essa Discrepância?
A principal explicação para esse descompasso reside no fato de que as amêndoas de cacau utilizadas na produção dos chocolates desta Páscoa foram compradas quando os preços estavam em alta no mercado internacional. A indústria de chocolate trabalha com compras antecipadas de matéria-prima, geralmente com 6 a 12 meses de antecedência. Portanto, os custos mais elevados do cacau já estavam embutidos nos produtos.
Conforme Lucca Bezzon, analista de mercado da StoneX Brasil, “Para a produção dos chocolates desta Páscoa, a indústria chegou a pagar entre US$ 6 mil e US$ 10 mil por tonelada pelos subprodutos do cacau. Hoje, esse valor caiu para cerca de US$ 3 mil.”
A Indústria em Busca de Recuperação de Margens
Apesar da queda nos preços do cacau, a indústria de chocolate tem priorizado a recuperação de suas margens de lucro, que foram apertadas devido ao déficit global de cacau nos anos anteriores. Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, afirma que “A indústria de chocolate passou anos com margens apertadas devido ao déficit global de cacau e agora prioriza a recuperação dessas margens antes de repassar qualquer redução ao consumidor”.
Perspectivas para o Futuro
A expectativa é que a queda dos preços do cacau comece a se refletir no valor do chocolate a partir do segundo semestre de 2025. No entanto, a normalização gradual dos preços dependerá da manutenção dos preços baixos no mercado internacional e doméstico. A recuperação das colheitas de cacau no Brasil e em países africanos, como Costa do Marfim e Gana, é um fator crucial para essa tendência.
Fatores que Impactaram os Preços em 2024
Em 2024, a forte queda na colheita de cacau no Brasil e nos principais produtores africanos, devido a eventos climáticos como o El Niño, pragas e doenças, impulsionou os preços do chocolate. A competição por cacau africano entre regiões com maior poder aquisitivo, como Europa e Estados Unidos, também agravou a escassez em outros mercados.
O Impacto das Importações e Protestos
O aumento das importações, impulsionado pela queda do dólar, contribuiu para a queda dos preços no campo. No entanto, essa situação gerou protestos de agricultores, que exigem maior controle sanitário sobre a importação de cacau para proteger a produção nacional. Em fevereiro, agricultores interditaram a BR 101 na Bahia em protesto contra a importação e os baixos preços do cacau.
Recuperação da Produção e Mudanças nas Fórmulas
A recuperação das colheitas e o aumento das importações contribuíram para a queda dos preços do cacau. No entanto, a alta excessiva do preço do cacau gerou mudanças nas fórmulas dos chocolates, com a redução do tamanho das barras e a substituição da manteiga de cacau por outras gorduras e óleos.
Fonte: G1
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