×

Radio Itatiaia: Concessões Rodoviárias, Pedágios e o Desenvolvimento de Minas Gerais

Radio Itatiaia: Concessões Rodoviárias, Pedágios e o Desenvolvimento de Minas Gerais

temp_image_1775609732.702138 Radio Itatiaia: Concessões Rodoviárias, Pedágios e o Desenvolvimento de Minas Gerais

Radio Itatiaia: O Impacto das Concessões Rodoviárias em Minas Gerais

Pedágio, duplicação, segurança e desenvolvimento. O que realmente muda quando uma rodovia é concedida? E por que, mesmo com investimentos, os acidentes ainda acontecem? Em entrevista ao Itatiaia Negócios Cast, Amanda Marçal, diretora superintendente da Ecovias Norte Minas, explica a lógica das concessões rodoviárias e destaca que os resultados são construídos ao longo do tempo. “A rodovia por si só não elimina o comportamento imprudente”, afirma. Mas como funciona, na prática, esse modelo?

Entrevista com Amanda Marçal, Ecovias Norte Minas

Leonardo Bortoletto: Olá, eu sou Leonardo Bortoletto, e você está no Itatiaia Negócios Cast, o espaço do grupo Itatiaia para trazer a realidade do mundo dos negócios de forma simplificada. Hoje, tenho o prazer de receber Amanda Marçal, diretora superintendente da Ecovias Norte Minas. Muito obrigado pela sua presença, Amanda.

Amanda Marçal: Obrigada pelo convite, Leo. É um prazer estar aqui.

Leonardo Bortoletto: Para quem está acompanhando, vamos entender a área de atuação da Ecovias Norte Minas. Quais rodovias vocês administram e quais cidades são abrangidas?

Amanda Marçal: A Ecovias Norte Minas faz parte do grupo EcoRodovias, uma referência em concessões rodoviárias no país. Nós administramos trechos nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Espírito Santo. Especificamente, lidero um trecho da BR-135, que se estende do entroncamento da BR-040 até Montes Claros, no Norte de Minas. Nossa sede é em Curvelo, e o trecho sob nossa responsabilidade tem aproximadamente 373 km, incluindo partes da BR-135, da MG-231 e da LMG-754, passando por Cordisburgo, terra de Guimarães Rosa. Nossa rodovia conecta o sul ao norte de Minas, impulsionando o desenvolvimento e a logística da região.

A Longa Jornada de uma Concessão

Leonardo Bortoletto: E qual a duração dessa concessão? Quando começou e quando terminará?

Amanda Marçal: É um projeto de longo prazo, com 30 anos de duração. Estamos completando 8 anos de concessão em julho. Assinamos o contrato em 2018, iniciamos a operação em 2019, após as etapas iniciais, incluindo a implementação dos pedágios. Ao final do sétimo ano, entregamos o maior ciclo de investimentos do projeto e agora enfrentamos novos desafios até 2048.

Leonardo Bortoletto: É importante ressaltar que um projeto de 30 anos é faseado. O que os usuários podem esperar agora, após esses primeiros 7 anos?

Amanda Marçal: Entregamos as principais obras estruturantes, como 133 km de duplicação, mais de 40 paradas de ônibus e retornos operacionais. Agora, estamos adaptando essa nova infraestrutura e entendendo o comportamento dos usuários, que muda com as melhorias. Além do que já está previsto em contrato – faixas adicionais, mais retornos e paradas de ônibus – estamos buscando acomodar novas demandas, pois a dinâmica do fluxo de veículos e o desenvolvimento dos municípios ao longo da rodovia exigem atenção constante. Realizamos novos estudos para garantir a qualidade dos serviços e incorporar novos desafios.

O Impacto no Desenvolvimento Municipal

Leonardo Bortoletto: Uma diferença notável entre rodovias concedidas e estaduais é o desenvolvimento dos municípios. Isso está relacionado ao tipo de contrato de concessão? Existem obrigações para o setor privado que o poder público não possui?

Amanda Marçal: A estrutura do governo estadual é complexa, e a malha rodoviária de Minas Gerais é a maior do país. As concessões são uma forma de garantir a qualidade e a conservação das rodovias, especialmente nos trechos economicamente viáveis para investidores. Ao conceder, o governo busca soluções para trechos que seriam difíceis de manter com recursos próprios.

As concessões trazem novas perspectivas para os municípios do Norte de Minas, que historicamente têm economias rurais. A implantação de praças de pedágio e bases de atendimento gera empregos formais, com benefícios como assistência médica. As concessões viabilizam caminhos antes inimagináveis, potencializam a vocação da região e promovem o acesso à infraestrutura e aos serviços. Isso abre novas oportunidades para as pessoas, que antes talvez não tivessem acesso a empregos formais e outros benefícios.

O Bastidor da Administração de uma Concessionária

Leonardo Bortoletto: O que acontece nos bastidores da administração de uma empresa como a Ecovias?

Amanda Marçal: É um trabalho 24 horas por dia, 7 dias por semana. Temos um centro de controle operacional que monitora a rodovia continuamente, com equipes em praças, bases e outros pontos estratégicos. São muitas pessoas trabalhando para garantir a qualidade, a segurança e a prestação de serviços, incluindo atendimento médico, mecânico e socorro em emergências. A população nem sempre conhece a complexidade por trás de uma concessão rodoviária.

Desafios e o Futuro da Mobilidade

Leonardo Bortoletto: Qual o futuro da mobilidade no Brasil? Mais tecnologia, gestão eficiente ou ambos?

Amanda Marçal: Ambos. Precisamos modernizar os contratos de concessão, incorporando tecnologia e acompanhando o desenvolvimento do setor. Os novos contratos já preveem obrigações de tecnologia, como identificação automática de acidentes e cobertura de sinal de celular em toda a extensão da rodovia. A modernização dos contratos, aliada a investimentos em infraestrutura, garante a melhoria da qualidade dos serviços e a eficiência da gestão.

Leonardo Bortoletto: Amanda, qual a importância do olhar feminino na liderança de grandes operações?

Amanda Marçal: O olhar feminino traz uma percepção diferenciada, especialmente no que diz respeito às necessidades dos colaboradores. A proximidade com as equipes, a escuta ativa e a valorização do lado humano são fundamentais para o engajamento e o sucesso do negócio. A resiliência também é uma característica importante para lidar com os desafios da liderança e conciliar os diferentes interesses.

Leonardo Bortoletto: Para finalizar, qual o seu conselho para quem quer liderar grandes operações sem perder o lado humano?

Amanda Marçal: Não se isole no escritório, viva a operação na veia. Lembre-se que o core do negócio é gente. Seja resiliente e esteja sempre aberto ao diálogo e à escuta ativa.

Fonte: Rádio Itatiaia

Compartilhar: