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Victor Hugo: A Queda da Marca de Luxo e o Pedido de Falência Bilionário

Victor Hugo: A Queda da Marca de Luxo e o Pedido de Falência Bilionário

temp_image_1771243705.074286 Victor Hugo: A Queda da Marca de Luxo e o Pedido de Falência Bilionário



Victor Hugo: A Queda da Marca de Luxo e o Pedido de Falência Bilionário

Victor Hugo: Do Luxo aos Tribunais – Entenda a Crise da Marca

A Victor Hugo, outrora sinônimo de elegância e status nos anos 90, enfrenta um momento crítico em sua história. A famosa marca de bolsas, que já ostentou 70 lojas em todo o Brasil, agora lida com um pedido de falência impetrado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) devido a uma dívida fiscal colossal de R$ 1,2 bilhão.

Acusações e Investigação

As acusações são graves: sonegação fiscal, evasão de ativos e o uso de empresas offshore para ocultar patrimônio. Segundo as procuradorias, a empresa acumula um passivo de R$ 900 milhões com a União e R$ 355 milhões com o Estado do Rio de Janeiro. As investigações revelaram manobras complexas, como a troca de CNPJ, mudanças societárias e transferências de ativos entre empresas do grupo, tudo com o objetivo de evitar o pagamento de impostos.

A Trajetória da Marca

Fundada em 1980, a Victor Hugo rapidamente se tornou um ícone do mercado de bolsas de couro no Brasil. Suas peças, com o emblemático logo “VH”, evocavam o luxo e a sofisticação da grife Louis Vuitton, conquistando uma legião de fãs. A decoração das lojas, inspirada no design francês, complementava a experiência de compra, reforçando a imagem de exclusividade.

Atualmente, a Victor Hugo conta com 19 lojas próprias e mais de 100 pontos de venda multimarcas. Apesar da redução em sua rede de lojas, seus produtos ainda podem ser encontrados por preços que chegam a R$ 7 mil.

O Esquema de Evasão de Ativos

As procuradorias apontam para um esquema sofisticado de evasão de ativos, envolvendo a transferência simulada de parques industriais e fundos de comércio entre empresas do grupo. Em dezembro, o grupo tentou transferir ativos nacionais para uma entidade controlada por capital estrangeiro, uma manobra considerada uma tentativa de proteger o patrimônio da jurisdição brasileira.

O Pedido de Falência e as Medidas Cautelares

O pedido de falência abrange o grupo econômico Victor Hugo, que inclui as empresas Brasilcraft Comércio de Artefatos de Couro, Nimey Artefatos de Couro (antiga Victor Hugo Artefatos de Couro) e Musk Artefatos de Couro. As procuradorias solicitaram a proibição imediata de transferência de bens do grupo e a continuidade provisória das atividades sob a gestão de um administrador judicial, visando preservar empregos.

O Contexto do Mercado de Luxo

A crise da Victor Hugo reflete os desafios enfrentados pelas empresas do setor de luxo em um mercado cada vez mais competitivo. A concorrência acirrada, o aumento dos passivos tributários e a necessidade de se adaptar às novas demandas dos consumidores são fatores que exigem inovação e planejamento estratégico.

Conforme especialistas do setor, a empresa precisava investir em pesquisas de mercado para se reconectar com as novas gerações e evitar a dependência de mecanismos alternativos que não geram insights relevantes. A alta carga tributária e o aumento dos juros também contribuíram para agravar a situação.

O Futuro da Victor Hugo

O futuro da Victor Hugo é incerto. A decisão sobre o pedido de falência ainda não foi proferida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, mas a situação financeira da empresa é delicada. A marca, que um dia representou o luxo e a sofisticação, agora luta para sobreviver em um mercado em constante transformação.

Para mais informações sobre o mercado de luxo, confira a análise da Estadão sobre a possível venda da Marc Jacobs pela LVMH.


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