Bicicleta Elétrica: Crescimento Exponencial Expõe Falhas na Infraestrutura do Rio de Janeiro

O Boom da Bicicleta Elétrica no Rio: Um Sinal de Alerta para a Infraestrutura Urbana
O mercado de bicicleta elétrica no Brasil tem apresentado um crescimento impressionante, saltando de 7,6 mil unidades em 2016 para 284 mil em 2024. No entanto, essa expansão acelerada tem exposto um problema estrutural latente no Rio de Janeiro: a falta de infraestrutura cicloviária adequada, regulamentação clara e fiscalização eficiente. A crescente disputa por espaço nas ruas da cidade tem gerado insegurança para motoristas, pedestres e, principalmente, para os ciclistas.
A Realidade nas Ruas: Insegurança e Conflitos
Nas ruas do Rio, a convivência entre diferentes modais de transporte tem se tornado cada vez mais desafiadora. Motoristas relatam dificuldades em lidar com a circulação de bicicletas elétricas no meio do trânsito, enquanto pedestres se sentem ameaçados pela presença de ciclistas nas calçadas. Os próprios ciclistas expressam desconforto com a falta de espaços seguros e demarcados para a prática da mobilidade sustentável.
“Pra mim tá uma terra sem lei porque não há respeito. É bicicleta elétrica sem capacete, no asfalto, mas também nas calçadas. A gente meio que fica competindo e toma susto.”
Infraestrutura Insuficiente e Promessas Não Cumpridas
O aumento significativo no número de bicicletas elétricas nas ruas do Rio não foi acompanhado por investimentos adequados em infraestrutura cicloviária. A prefeitura do Rio de Janeiro afirma possuir cerca de 500 quilômetros de infraestrutura cicloviária, mas a distribuição e a qualidade dessas vias são questionáveis. A falta de ciclovias e ciclofaixas exclusivas obriga os ciclistas a dividir as vias com carros ou a circular pelas calçadas, aumentando o risco de acidentes.
Em 2023, a prefeitura lançou o Plano de Segurança Viária e o CicloRio, com a meta de ampliar a malha cicloviária para mil quilômetros até 2033. No entanto, o progresso tem sido lento, com um aumento de apenas 1,9% na extensão das ciclovias em um ano. O Rio de Janeiro figura entre as capitais brasileiras que menos investiram em infraestrutura cicloviária nos últimos anos.
Soluções ao Alcance: Priorizando a Segurança e a Convivência
Especialistas defendem que medidas simples e eficazes podem reduzir os riscos e melhorar a convivência entre os diferentes modais de transporte. Entre as soluções propostas, destacam-se:
- Redução da velocidade das vias
- Melhoria da sinalização
- Ampliação de espaços exclusivos para bicicletas elétricas
- Regulamentação clara e fiscalização eficiente
“Acredito que olhando todos os estudos, olhando os exemplos internacionais, a gente precisa dar realmente preferência para os mais vulneráveis.”
A professora Marina Baltar ressalta a importância de repensar o modelo de cidade, priorizando as pessoas em detrimento dos carros. A criação de áreas exclusivas para ciclistas e pedestres, a redução de vagas de estacionamento e a implementação de medidas de moderação de tráfego são algumas das ações que podem contribuir para uma mobilidade urbana mais segura e sustentável.
O Que Diz a Prefeitura do Rio
Procurada pela equipe do RJ2, a Prefeitura do Rio não se manifestou sobre o plano de expansão cicloviária. A Cet-rio informou que a cidade possui atualmente cerca de 500 quilômetros de infraestrutura cicloviária.
A crescente popularidade da bicicleta elétrica representa uma oportunidade para transformar o Rio de Janeiro em uma cidade mais sustentável e amigável para os ciclistas. No entanto, é fundamental que a prefeitura invista em infraestrutura adequada, regulamentação clara e fiscalização eficiente para garantir a segurança e o bem-estar de todos os cidadãos.
Saiba mais sobre mobilidade urbana: Ministério das Cidades
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