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Chuvas Intensas em Minas Gerais: Tragédia e Desigualdade Social em Juiz de Fora

Chuvas Intensas em Minas Gerais: Tragédia e Desigualdade Social em Juiz de Fora

temp_image_1772192310.72315 Chuvas Intensas em Minas Gerais: Tragédia e Desigualdade Social em Juiz de Fora



Chuvas Intensas em Minas Gerais: Tragédia e Desigualdade Social em Juiz de Fora

Chuvas Intensas em Minas Gerais: Tragédia e Desigualdade Social em Juiz de Fora

A recente onda de chuvas que atingiu a zona da mata de Minas Gerais, a partir da segunda-feira (23), resultou em uma tragédia com mais de 60 mortes. O evento expôs de forma dramática as profundas disparidades socioeconômicas na ocupação do solo urbano, especialmente na cidade de Juiz de Fora, a mais afetada.

Juiz de Fora: Um Retrato da Desigualdade

Com uma população de 540.756 habitantes em 2022, segundo dados do IBGE, Juiz de Fora apresenta uma concentração de 16.728 pessoas vivendo em áreas consideradas favelas – representando apenas 3,1% da população total. No entanto, a ocupação desordenada das encostas da cidade, em diferentes classes sociais, amplificou os impactos dos deslizamentos.

Enquanto nas Paineiras, um bairro de classe média, o desmoronamento de parte do morro do Cristo causou danos a imóveis e resultou em mortes, a comunidade Três Moinhos, também localizada em encostas, precisou ser completamente evacuada. A diferença no impacto é evidente.

“Paineiras é um bairro nobre, o efeito é diferente de lugares como aqui. Aqui é periferia. Há menos estrutura e o povo demora muito mais para se recuperar.” – Gilcimar Color, morador da Três Moinhos.

A Busca por Abrigo e a Resposta da Prefeitura

A procura por abrigos também refletiu as desigualdades. A escola municipal Nilo Ayupe, nas Paineiras, foi aberta como abrigo, mas permaneceu praticamente vazia, transformando-se em um ponto de coleta de doações. Em contraste, a escola municipal Professor Paulo Rogério Silva, no bairro Monte Castelo, atingiu rapidamente sua capacidade máxima de 50 pessoas, acolhendo moradores do bairro Esplanada, uma região popular de Juiz de Fora.

A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), reconhece que o crescimento populacional desordenado da cidade, a partir da década de 1970, contribuiu para a situação atual. Ela menciona o Projeto Cidades de Porte Médio (CNDU/Bird) como uma iniciativa que visava evitar a migração para grandes centros, mas ressalta a necessidade de repensar as soluções diante da emergência climática.

“Não tem como tirar o povo de um bairro como Santa Luzia. Se houvesse racionalidade, [o bairro] nunca poderia ter sido ocupado, pelo menos na margem do correio. É uma loucura, mas está lá. Não posso dizer ‘sai daí’. Então, tenho que mitigar.”, afirma a prefeita.

A Importância da Prevenção e da Adaptação

A tragédia em Juiz de Fora serve como um alerta para a necessidade urgente de políticas públicas eficazes de prevenção de desastres naturais e de adaptação às mudanças climáticas. É fundamental investir em mapeamento de áreas de risco, planejamento urbano adequado, e programas de reassentamento para famílias que vivem em áreas vulneráveis. A chuva forte é um fenômeno natural, mas seus impactos podem ser minimizados com planejamento e investimento.

Para mais informações sobre desastres naturais e prevenção, consulte o site do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional.


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