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Georgia: Julgamento Histórico Avalia Responsabilidade Parental em Tiroteio Escolar

Georgia: Julgamento Histórico Avalia Responsabilidade Parental em Tiroteio Escolar

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Georgia: Julgamento Histórico Avalia Responsabilidade Parental em Tiroteio Escolar

Julgamento em Georgia: Um Marco na Responsabilidade por Tiroteios Escolares

O estado da Georgia está no centro de um debate crucial sobre a responsabilidade parental em casos de tiroteios escolares. O julgamento de Colin Gray, pai do adolescente acusado de matar quatro pessoas em uma escola de Georgia em 2024, está testando os limites de quem deve ser responsabilizado por tragédias como essa. O caso levanta questões complexas sobre o equilíbrio entre os direitos dos pais e a segurança dos alunos.

As Acusações Contra Colin Gray

Colin Gray se declarou inocente de quase 30 acusações, incluindo dois crimes de homicídio culposo e dois crimes de homicídio de segundo grau. A promotoria alega que Gray permitiu que seu filho, Colt Gray, tivesse acesso a uma arma de fogo e munição, mesmo após ter sido alertado sobre o potencial perigo que o adolescente representava.

Em sua declaração inicial, o promotor do condado de Barrow, Brad Smith, enfatizou que o caso não se trata de responsabilizar pais pelas ações de seus filhos, mas sim das ações do pai em fornecer acesso a uma arma a um filho que já havia demonstrado sinais de comportamento preocupante. “Este caso é sobre este réu e suas ações – suas ações ao permitir que uma criança sob sua custódia tenha acesso a uma arma de fogo e munição depois de ser avisado de que essa criança ia prejudicar outras pessoas”, declarou Smith.

A Defesa de Colin Gray

A defesa, por sua vez, argumenta que Colin Gray não poderia ser responsabilizado criminalmente, pois não tinha conhecimento de que seu filho estava planejando o tiroteio. O advogado de defesa, Brian Hobbs, afirmou que Colt Gray agiu de forma independente e enganou aqueles ao seu redor, tornando impossível para seu pai prever ou impedir a tragédia.

“Quando alguém esconde um plano, engana as pessoas ao seu redor, age de forma independente, a lei não nos permite fingir que as pessoas deixadas para trás deveriam ter visto tudo”, argumentou Hobbs.

O Tiroteio na Apalachee High School

O caso tem origem no tiroteio ocorrido na Apalachee High School em setembro de 2024, quando Colt Gray, então com 14 anos, supostamente usou um rifle estilo AR15 para matar dois alunos e dois professores, além de ferir nove outras pessoas. Ele se entregou à polícia e confessou o crime, de acordo com as autoridades.

Investigações revelaram que, mais de um ano antes do tiroteio, as autoridades haviam interrogado o adolescente e seu pai sobre “ameaças online de cometer um tiroteio escolar”. Embora nenhuma acusação tenha sido apresentada na época, Colin Gray comprou uma arma para seu filho como presente de Natal em dezembro de 2023 – a mesma arma usada no tiroteio em massa, segundo fontes da investigação.

Paralelos com o Caso Crumbley

O caso de Colin Gray apresenta semelhanças com o julgamento de James e Jennifer Crumbley, cujos filhos foram responsáveis por um tiroteio em uma escola em Oxford, Michigan, em 2021. Os pais Crumbley foram condenados por homicídio culposo e sentenciados a 10 a 15 anos de prisão. Este caso, assim como o de Gray, busca estabelecer um precedente sobre a responsabilidade dos pais em relação à segurança escolar.

O Que Diz a Promotoria

A promotoria alega que Gray permitiu que seu filho mantivesse a arma em seu quarto, apesar de vários sinais de alerta de que Colt Gray estava “perdendo o controle”. Segundo Smith, no primeiro dia de Colt na Apalachee High School, ele enviou uma mensagem de texto ao pai dizendo: “Quando algo acontecer, saiba que o sangue estará em suas mãos”. Mais tarde naquela semana, Colt empurrou sua mãe ao chão quando ela tentou tirar a arma e pediu ao pai para comprar 150 cartuchos de munição.

A Defesa Contrapõe

A defesa, no entanto, retrata Colin Gray como um pai engajado que estava ativamente tentando obter tratamento de saúde mental para seu filho. Hobbs afirmou que Colt Gray inicialmente planejou o ataque para fevereiro de 2025, coincidindo com o aniversário do tiroteio na escola de Parkland, mas acelerou o cronograma devido aos esforços de seu pai para conseguir tratamento. Colin Gray havia agendado uma consulta para seu filho com especialistas em saúde mental em 5 de setembro de 2024, o dia seguinte ao tiroteio.

O Futuro do Caso

O julgamento de Colin Gray é parte de um movimento mais amplo para responsabilizar mais pessoas por tiroteios escolares, incluindo os pais dos atiradores e os policiais que responderam aos incidentes. Colin Gray permanece preso desde sua prisão no dia seguinte ao tiroteio. Se condenado, ele pode enfrentar de 10 a 30 anos de prisão por cada acusação de homicídio e de 1 a 10 anos por cada acusação de homicídio culposo.

Colt Gray, agora com 16 anos, foi indiciado em 55 acusações criminais, incluindo quatro acusações de assassinato com premeditação. Ele se declarou inocente, embora seu advogado tenha levantado a possibilidade de mudar sua declaração. Uma data para o julgamento ainda não foi definida.

O estado planeja apresentar depoimentos de membros da família de Gray, sobreviventes do tiroteio e especialistas em saúde comportamental. O julgamento deve durar cerca de três semanas.

Fonte: CNN


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