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jmail: O Caso Epstein e as Diferenças de Reação entre Europa e EUA
O caso Jeffrey Epstein, o bilionário americano condenado por tráfico sexual de menores, continua a gerar ondas de choque em todo o mundo. Enquanto na Europa figuras públicas estão perdendo cargos e títulos devido a ligações com Epstein, nos Estados Unidos a resposta tem sido notavelmente mais branda.
A Onda de Consequências na Europa
A divulgação de documentos relacionados ao caso Epstein tem exposto conexões entre o criminoso e membros da realeza, políticos e oficiais do governo europeus. A reação tem sido rápida e severa. No Reino Unido, o Príncipe Andrew foi destituído de seus títulos reais e forçado a se afastar da vida pública após alegações de envolvimento com Epstein. Atualmente, ele enfrenta uma nova investigação policial sobre a possível divulgação de informações confidenciais ao criminoso em 2010.
Peter Mandelson, ex-embaixador britânico nos EUA e figura proeminente do Partido Trabalhista, também foi forçado a renunciar ao cargo e enfrenta uma investigação criminal após a divulgação de evidências de pagamentos recebidos de Epstein e compartilhamento de documentos governamentais. A pressão sobre o Primeiro-Ministro Keir Starmer, que inicialmente apoiou Mandelson, foi intensa, levando-o a se desculpar com as vítimas de Epstein.
A França também não escapou. Jack Lang, ex-ministro da Cultura, renunciou ao cargo de chefe de um centro cultural em Paris após questionamentos sobre suas ligações com Epstein. Na Noruega, a situação é ainda mais grave, com Thorbjørn Jagland, ex-primeiro-ministro, sendo acusado de “corrupção grave” e Mona Juul, ex-embaixadora da Noruega na Jordânia, renunciando após revelações de que Epstein deixou US$ 10 milhões em seu testamento para seus filhos.
A Blindagem nos Estados Unidos
Em contraste com a Europa, nos Estados Unidos, figuras proeminentes com ligações aparentes com Epstein – incluindo o ex-presidente Donald Trump e o Secretário de Comércio Howard Lutnick – têm mantido seus cargos de poder. Essa disparidade levanta questões sobre a influência do dinheiro na política americana.
Richard Painter, professor da Universidade de Minnesota Law School e ex-conselheiro ético do Presidente George W. Bush, argumenta que a conexão entre dinheiro e política nos EUA pode proteger aqueles cujos nomes aparecem nos arquivos de Epstein. “Você tem uma enorme quantidade de dinheiro na política. Então, a classe bilionária definitivamente quer ser protegida”, afirma Painter.
Embora alguns americanos tenham sofrido consequências, como Larry Summers, que se afastou de seu cargo em Harvard, e Brad Karp, que renunciou à presidência do escritório de advocacia Paul Weiss, a reação geral tem sido menos severa do que na Europa.
A Questão da Transparência
A divulgação dos arquivos de Epstein também levantou questões sobre a transparência do processo. A Procuradora-Geral Pam Bondi foi criticada por divulgar seletivamente partes dos arquivos, apesar de uma legislação bipartidária que exige a divulgação completa dos documentos. Há preocupações de que a administração esteja liberando arquivos que apenas incriminam democratas, enquanto protege republicanos.
O Legado do Caso Epstein
O caso Epstein continua a ser um lembrete sombrio da influência do poder e do dinheiro, e da importância da responsabilização. A diferença na forma como a Europa e os Estados Unidos estão lidando com as consequências do escândalo destaca as diferentes culturas políticas e os diferentes níveis de transparência e responsabilização em cada continente.
Para mais informações sobre o caso Epstein, consulte:
- NPR – Fonte original do artigo.
- Departamento de Justiça dos EUA – Para informações oficiais sobre o caso.
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