Nestlé: Contaminação em Fórmulas Infantis e o Rastreamento da Origem

Nestlé Enfrenta Crise com Contaminação em Fórmulas Infantis
A gigante alimentícia Nestlé enfrentou uma crise significativa no final de 2025 e início de 2026, devido à detecção de cereulida, uma toxina que pode causar vômitos e diarreia, em amostras de suas fórmulas infantis. A saga da contaminação e o subsequente rastreamento da origem revelaram complexidades na cadeia de suprimentos e levantaram questões sobre a transparência da empresa.
A Descoberta e a Investigação Inicial
A contaminação foi inicialmente detectada em pequenas quantidades durante verificações de rotina, após a instalação de novos equipamentos em uma fábrica da Nestlé nos Países Baixos, no final de novembro de 2025. A produção na linha afetada foi imediatamente interrompida. Em 10 de dezembro, a Nestlé notificou as autoridades holandesas, 16 mercados potencialmente afetados e a Comissão Europeia.
A investigação inicial apontava para a fábrica nos Países Baixos, mas logo se revelou que a origem do problema era mais distante. A contaminação não vinha da planta de produção, mas sim de óleo proveniente de um fornecedor terceirizado. Este óleo foi processado pela Nestlé na Suíça e distribuído como uma mistura para suas fábricas em todo o mundo.
Rastreando a Origem da Contaminação
Em 23 de dezembro, análises laboratoriais da própria Nestlé confirmaram que a mistura de óleo era a fonte da contaminação. A empresa conseguiu restringir a contaminação a entregas de óleo realizadas em 2025, com testes indicando que entregas de anos anteriores não foram afetadas. Essa descoberta crucial revelou que o problema não era exclusivo da Nestlé, mas sim de toda a indústria que trabalhava com o mesmo fornecedor.
A Nestlé então informou o fornecedor, as autoridades e a indústria sobre a situação. A partir de 2 de janeiro de 2026, a empresa começou a informar as autoridades em cerca de 60 países e a realizar recalls públicos dos lotes de fórmula infantil afetados.
Recalls Ampliados e Controvérsias
Outros fabricantes de alimentos para bebês, como a francesa Danone e a suíça Hochdorf, também realizaram recalls de certos produtos, pois também haviam trabalhado com o mesmo fornecedor. No entanto, alguns recalls ocorreram apenas duas a três semanas depois, com as razões para o atraso permanecendo obscuras.
O jornal francês Le Monde contestou a versão da Nestlé dos fatos, alegando que o cronograma fornecido pela empresa não era preciso. Uma fonte de alto escalão teria informado o jornal que a Nestlé já sabia em 10 de dezembro que o óleo enriquecido com ácido araquidônico era a fonte da contaminação, e que essa informação foi imediatamente comunicada às autoridades.
Ações Legais e Transparência
A organização Foodwatch entrou com uma queixa no tribunal de Paris em conexão com o recall de leite infantil de várias empresas. A situação destaca a importância da transparência e da rápida resposta em casos de segurança alimentar, especialmente quando se trata de produtos destinados a bebês.
Este caso serve como um lembrete da complexidade das cadeias de suprimentos globais e da necessidade de rigorosos controles de qualidade para garantir a segurança dos alimentos que consumimos. A Nestlé, juntamente com outros fabricantes, está agora sob escrutínio para garantir que medidas preventivas sejam implementadas para evitar incidentes semelhantes no futuro.
Para mais informações sobre segurança alimentar e recalls de produtos, consulte os seguintes recursos:
Compartilhar:


