
PF Desvenda Mega Esquema: Lavagem de R$ 600 Milhões e Adulteração de Combustíveis em Curitiba e Região

Uma vasta rede de crime organizado, com tentáculos no contrabando, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis, foi desmantelada em uma mega operação da Polícia Federal (PF) e Receita Federal no Paraná. A ação inédita revelou um esquema que movimentou bilhões e atingiu 46 postos de combustíveis em Curitiba e Região Metropolitana.
A Operação PF em Destaque: Mais de R$ 600 Milhões em Lavagem
Deflagrada pela PF, a investigação expôs um grupo criminoso que, desde 2019, lavou pelo menos R$ 600 milhões, com uma movimentação financeira total estimada em mais de R$ 23 bilhões. Este império ilícito era sustentado por uma intrincada teia de centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings e até instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.
O foco da operação foi garantir a qualidade do combustível que chega aos consumidores e combater a concorrência desleal, mas acima de tudo, desarticular o braço financeiro de organizações criminosas que impactam a segurança pública e a economia nacional. Para saber mais sobre o trabalho da Polícia Federal, visite o site oficial.
O Início da Teia: De Luxo Ostentado ao Crime Organizado
As investigações começaram em 2023, quando a ostentação de luxo de um casal em um condomínio de alto padrão em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, chamou a atenção. O homem, já condenado por tráfico internacional, e sua esposa, acumulavam mais de R$ 34 milhões em bens de luxo, sem comprovação de origem lícita.
A partir daí, os agentes da Polícia Federal desvendaram uma complexa associação. O casal uniu-se a integrantes de uma empresa de produtos químicos e uma distribuidora de petróleo, com sedes em Pinhais e Paulínia (SP). Essa conexão foi crucial para a compra de insumos como nafta e metanol, utilizados em misturas ilegais de combustíveis – a essência da adulteração de combustíveis.
Conexões Perigosas: Facções Criminosas e Risco de PCC
A distribuidora de petróleo, fundada em 2019 e com faturamento declarado de mais de R$ 7 bilhões entre 2020 e 2023, operava inteiramente com recursos ilícitos. A PF constatou que essa empresa tinha fortes ligações com indivíduos já citados em outros esquemas de fraude de combustíveis em São Paulo e no Rio de Janeiro. Alarmantemente, a investigação apontou conexões diretas com facções criminosas, sugerindo a possibilidade de envolvimento de grupos como o PCC (Primeiro Comando da Capital) na estrutura do esquema.
O Esquema da Lavagem de Dinheiro: Uma Engenharia Sofisticada
A engenharia da lavagem de dinheiro seguia um padrão de três fases, desenhado para “legalizar” os recursos de crimes como a adulteração de combustíveis e o contrabando:
- Colocação: O dinheiro ilícito era inserido na economia formal por meio de depósitos em espécie, muitas vezes fracionados, e transferências por empresas de fachada registradas em nome de “laranjas”.
- Dissimulação: Os valores circulavam entre as diversas empresas do grupo, com operações simuladas e fraudes fiscais, dificultando o rastreamento.
- Integração: Os recursos retornavam ao mercado como se fossem legítimos, devidamente registrados em contabilidade fraudulenta da distribuidora, prontos para serem reinvestidos ou usufruídos.
Foram identificados quase R$ 594 milhões em depósitos em espécie sem origem comprovada, disfarçados de “adiantamentos de clientes” ou movimentados por postos e lojas de conveniência. O transporte desses valores era feito até mesmo em carros-fortes de empresas de pagamento controladas pelo próprio grupo criminoso. A Receita Federal desempenha um papel crucial no combate a esses crimes. Conheça mais em gov.br/receita.
Impacto e Outros Crimes Descobertos
Além da lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis, o grupo também fraudava importações de produtos químicos essenciais para as misturas ilegais, como nafta e metanol, vindos da Argentina, Venezuela, EUA e Oriente Médio. A dívida tributária acumulada junto à Receita Federal pode ultrapassar R$ 1,6 bilhão, somando sonegação fiscal e fraude em importações.
Há ainda indícios de fraude nos medidores das bombas de gasolina, lesando diretamente o consumidor. Esta mega operação da PF é um marco na luta contra o crime organizado no Brasil, protegendo a economia e, sobretudo, a integridade dos consumidores. É fundamental que as autoridades continuem vigilantes e que a população denuncie irregularidades para coibir a prática de fraude de combustível.
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