USP: Médica Condenada por Golpes Após Desvio de Verba de Formatura

USP: Médica Condenada por Golpes Após Desvio de Verba de Formatura
Alicia Dudy Muller Veiga, médica formada pela Universidade de São Paulo (USP), foi condenada a 3 anos de reclusão em regime semiaberto por aplicar um golpe de R$ 192,9 mil em uma lotérica na Zona Sul de São Paulo. A decisão, proferida pela juíza Adriana Costa da 32ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda, soma-se às acusações de desvio de quase R$ 1 milhão dos fundos da festa de formatura de sua turma.
O Golpe na Lotérica
Segundo a denúncia do Ministério Público, Alicia solicitou apostas no valor de R$ 891,5 mil, mas tentou enganar a lotérica com um agendamento de Pix de apenas R$ 891,50. A gerente da lotérica desconfiou da transação ao perceber que o pagamento efetivo não correspondia ao valor das apostas, que já totalizavam R$ 193,8 mil. A estudante apresentou um comprovante de transferência no valor de R$ 891,50 e deixou o local com cinco apostas de R$ 38,7 mil cada.
A juíza Adriana Costa destacou na decisão que há provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria. Além da pena de prisão, Alicia foi condenada ao pagamento de um salário mínimo como multa.
A Investigação e a Sequência dos Fatos
As investigações revelaram que, em abril de 2022, Alicia realizou apostas de quase R$ 20 mil na Lotofácil, todas pagas via Pix. Posteriormente, passou a fazer apostas em valores cada vez mais altos, totalizando R$ 461 mil. Em julho de 2022, solicitou R$ 891,5 mil em apostas, e após registrar R$ 193,8 mil, a gerente questionou o pagamento. Alicia alegou ter feito um agendamento de transferência, mas apresentou uma movimentação de apenas R$ 891,53, na tentativa de induzir os funcionários ao erro.
A polícia investiga se o dinheiro utilizado nas apostas não pagas pode ter origem nos valores desviados da festa de formatura da turma de Medicina da USP. A defesa de Alicia ainda não se pronunciou sobre o caso.
O Desvio na USP
Anteriormente, o Ministério Público denunciou Alicia oito vezes por estelionato e uma por estelionato tentado no inquérito sobre o desvio do dinheiro da formatura. De acordo com a comissão de formatura, a suspeita afirmou, por meio de mensagens no WhatsApp, ter transferido a quantia de quase R$ 1 milhão para uma conta pessoal. A comissão só percebeu o desvio em janeiro deste ano.
O Instituto de Criminalística analisou celulares, smartwatch, cartões bancários e HD externo, recuperando conversas em que Alicia demonstra arrependimento e menciona tentativas de recuperar o dinheiro com apostas na Lotofácil. O carro de luxo alugado com o dinheiro dos alunos já foi devolvido à empresa.
Este caso levanta questões importantes sobre a conduta ética e a responsabilidade de profissionais da área médica, além de reforçar a importância da transparência e da fiscalização na gestão de recursos financeiros em instituições de ensino.
Fonte: G1 São Paulo
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