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Chavoso da USP e Rubinho Nunes: Entenda o Tenso Bate-Boca na CPI dos Pancadões

Chavoso da USP e Rubinho Nunes: Entenda o Tenso Bate-Boca na CPI dos Pancadões

temp_image_1756515778.809555 Chavoso da USP e Rubinho Nunes: Entenda o Tenso Bate-Boca na CPI dos Pancadões

Uma sessão da CPI dos Pancadões na Câmara Municipal de São Paulo se transformou em um palco de acaloradas discussões, colocando frente a frente o vereador Rubinho Nunes (União Brasil), presidente da comissão, e o professor e youtuber Thiago Torres, amplamente conhecido como “Chavoso da USP”. O embate, que repercutiu intensamente, foi deflagrado após declarações polêmicas do professor, que insinuou a presença de crime organizado dentro do próprio Legislativo municipal.

CPI dos Pancadões: O Contexto da Investigação

Instalada em maio, a Câmara Municipal de São Paulo criou a CPI dos Pancadões com o objetivo de investigar possíveis omissões da prefeitura na fiscalização de festas clandestinas, os chamados “pancadões”, e outros eventos que causam perturbação do sossego. Além disso, a comissão busca apurar os organizadores e suas possíveis conexões com o crime organizado, uma questão central que permeou o depoimento de Thiago Torres.

A Faísca: Acusações de Crime Organizado na Câmara

Durante seu depoimento, Thiago Torres foi questionado por Rubinho Nunes sobre a existência de crime organizado nas periferias. A resposta do “Chavoso da USP” elevou a temperatura da sessão: ele afirmou que o crime organizado “existe em todo lugar”, inclusive “dentro desta Casa”, referindo-se explicitamente à Câmara Municipal. Essa declaração gerou uma reação imediata e contundente do vereador, que exigiu que Torres apontasse os parlamentares supostamente envolvidos.

O silêncio do youtuber diante da solicitação de nomes específicos intensificou a tensão. Em determinado momento, Rubinho Nunes chegou a ameaçar dar “voz de prisão” a Torres por “testemunho falso”, caso ele negasse suas próprias palavras. A acalorada discussão exigiu a intervenção de outros vereadores para que a sessão pudesse prosseguir.

“Chavoso da USP”: Uma Voz da Periferia e Crítico Social

Formado em Ciências Sociais pela renomada Universidade de São Paulo (USP), Thiago Torres conquistou notoriedade na internet por suas análises sobre a criminalização da juventude negra e periférica. Ele é um defensor ferrenho do funk, combatendo o preconceito associado ao gênero musical e destacando as barreiras enfrentadas por jovens das comunidades para acessar a educação superior. Sua convocação à CPI gerou controvérsia, com Torres argumentando que a comissão buscava “ganhar visibilidade” às custas de sua imagem.

“A CPI quer aproveitar minha visibilidade para ganhar seguidores nas redes sociais, produzindo conteúdos com cortes de vídeos. Isso tem a ver com a criminalização da juventude negra e periférica da qual faço parte.”

— Thiago Torres, “Chavoso da USP”

Durante o depoimento, Torres também rebateu a associação direta entre bailes funk e crime organizado, argumentando que a perseguição se dá contra o gênero musical em si. “Vou discordar da associação ao crime feita com o funk e o baile funk. As festas que acontecem nas favelas… não é só funk. Temos sertanejo, forró, samba, a favela tem diversas culturas, não se restringe só ao funk. Quando [a CPI] se limita a investigar e associar somente o funk é uma perseguição ao gênero”, defendeu.

Desdobramentos e Próximos Passos

Ao final da sessão, o vereador Rubinho Nunes solicitou que a Câmara encaminhasse a gravação da fala de Thiago Torres ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para a “adoção das medidas legais por possível falso testemunho”. A CPI dos Pancadões, diante da “complexidade do problema”, foi prorrogada por mais 120 dias, indicando que as investigações e os debates acalorados estão longe de um fim.

O episódio ressalta a tensão entre a fiscalização de eventos e a crítica social, especialmente quando questões de representatividade, criminalização e liberdade de expressão entram em pauta. O embate entre o político e o professor levanta importantes discussões sobre os limites da investigação parlamentar e a percepção da atuação de figuras públicas influentes.

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