Coreia do Norte: Ameaça Nuclear e o Cenário Global Pós-Irã

Coreia do Norte: Ameaça Nuclear e o Cenário Global Pós-Irã
A recente escalada de tensões no Irã tem sido interpretada por analistas como um indicativo da disposição do governo americano, sob a liderança de Donald Trump, em manter uma postura intervencionista no cenário internacional. A morte do aiatolá Ali Khamenei, somada à captura do ditador Nicolás Maduro, levantou questionamentos sobre os limites dessa política e a possibilidade de a atenção dos Estados Unidos se voltar para a Coreia do Norte de Kim Jong-un.
Paralelos e Diferenças Cruciais
Embora existam paralelos entre Irã e Coreia do Norte – ambos países isolados e sujeitos a fortes sanções ocidentais – uma diferença fundamental reside na posse de armas nucleares por Pyongyang. A experiência recente demonstra que, para o regime de Kim Jong-un, manter um arsenal nuclear é crucial para sua sobrevivência.
Expansão da Produção de Mísseis
A guerra no Irã é vista como um sinal de que os EUA não abandonarão o intervencionismo. A morte do aiatolá e a captura de Maduro acenderam o alerta sobre os próximos passos americanos, incluindo a possibilidade de intervenção na Coreia do Norte. Impedir o desenvolvimento de armas nucleares foi a justificativa para o bombardeio do Irã, mas será que isso é suficiente para manter Kim Jong-un a salvo da pressão americana?
Jeongmin Kim, diretora da consultoria Korea Risk Group, observa que a Coreia do Norte adota uma postura discreta, evitando o discurso de desnuclearização que antes a colocava na mira dos EUA. “O arsenal norte-coreano é supostamente mais desenvolvido que o iraniano”, afirma. “No entanto, o ataque ao Irã ocorreu durante o que eles acreditavam ser negociações com o governo Trump. A Coreia do Norte não quer que isso aconteça com eles.”
Ameaça Nuclear como Garantia de Sobrevivência
A Coreia do Norte pode utilizar a ameaça de seu arsenal nuclear, combinado com avanços na tecnologia de mísseis balísticos, como instrumento de pressão em negociações e para dissuadir os EUA de uma intervenção militar. A desnuclearização, outrora uma prioridade, parece ter saído da lista de objetivos de Washington.
Mudanças na Política Externa Americana
Durante o governo Obama, os EUA adotaram uma política de “paciência estratégica” em relação ao programa nuclear norte-coreano. O governo Trump tentou uma abordagem mais incisiva, culminando em uma cúpula inédita em Singapura em 2018, com um acordo não vinculativo de desnuclearização. No entanto, o acordo fracassou um ano depois.
Sob o governo Biden, a Coreia do Norte perdeu prioridade na política externa americana. Paradoxalmente, enquanto a atenção diminuiu, o arsenal norte-coreano se fortaleceu exponencialmente, com o desenvolvimento de combustíveis sólidos e líquidos e mísseis balísticos capazes de atingir o Japão e até mesmo o território continental dos EUA.
A Busca por Aliados
Caso Trump adote táticas mais agressivas em relação à Coreia do Norte, Kim Jong-un buscará apoio de seus aliados mais poderosos: Rússia e China. No entanto, ambos os países se abstiveram de intervir no conflito iraniano e demonstraram pouca pressão contra a derrocada de Maduro na Venezuela.
“Os líderes norte-coreanos observam que, apesar dos tratados de defesa mútua, Rússia e China podem não ser capazes de protegê-los completamente em caso de conflito”, avalia a especialista.
Desnuclearização: Uma Perspectiva Distante
A Coreia do Norte declarou que sua posição como Estado com armas nucleares é irreversível, considerando os comentários americanos sobre o tema como “anacrônicos”. Andrei Lankov, professor de história e relações internacionais, afirma que “qualquer esperança de que Pyongyang abra mão de suas armas nucleares deve ser descartada. Os ataques ao Irã são o último prego nesse caixão”.
Implicações para a Coreia do Sul
A dependência crescente da Coreia do Norte em seu programa nuclear para garantir a sobrevivência do regime tem implicações significativas para a Coreia do Sul. A Estratégia de Defesa Nacional dos EUA considera a Coreia do Sul capaz de se defender com seus próprios meios, limitando o apoio militar americano a casos críticos.
Um relatório da 38 North destaca que a Coreia do Norte conseguiu desenvolver seu programa nuclear ao dissuadir os EUA de atacar suas instalações de pesquisa, graças à sua capacidade de infligir danos massivos a Seul.
O Futuro da Coreia do Norte
Apesar do estado de alerta, uma tentativa de derrubar Kim Jong-un por meios militares parece improvável. A ação no Irã foi justificada pelos EUA como apoio a Israel, e uma intervenção na Coreia do Norte exigiria uma ofensiva de Seul para legitimar a presença americana.
A Coreia do Norte certamente se encorajou com a resistência do Irã à força militar americana, avalia Kim Sang-woo, ex-político sul-coreano. “Pyongyang está observando a situação e deve estar satisfeito com os resultados até agora. O Irã conseguiu colocar os EUA em uma posição difícil.”
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