Correio do Povo: Getúlio Vargas em 1926 e o Cenário Político Brasileiro

Getúlio Vargas em 1926: Uma Análise do Brasil Através do Correio do Povo
Em 17 de fevereiro de 1926, o renomado jornal Correio do Povo publicou uma entrevista exclusiva com o então líder da maioria da bancada rio-grandense na Câmara Federal, Dr. Getúlio Vargas. Em um momento crucial da história brasileira, Vargas concedeu insights valiosos sobre a situação política do país, as tensões sociais e os desafios da época. Este artigo revisita essa entrevista histórica, oferecendo uma janela para o pensamento de um dos personagens mais importantes da política nacional.
Férias Parlamentares e o Panorama Político Nacional
Recém-chegado do Rio de Janeiro, Vargas encontrava-se em Brasília aproveitando suas férias parlamentares. O jornalista Juliano Bruni, do Correio do Povo, aproveitou a oportunidade para questioná-lo sobre o cenário político nacional. Vargas, conhecido por sua ponderação e perspicácia, ofereceu uma análise detalhada da conjuntura da época.
Segundo Vargas, a situação política do país era “boa”, com as forças políticas dominantes apoiando o Presidente da República. No entanto, ele reconheceu a existência de uma oposição “tenaz e batalhadora”, embora numericamente insignificante. A principal ameaça à ordem, na visão de Vargas, era representada pelos movimentos revolucionários nos estados do Piauí e Maranhão, liderados pela Coluna Prestes.
“Estão lutando unicamente pela anistia e têm apenas dois recursos a seu favor: ou fugir para o estrangeiro, onde sofrerão privações, ou apresentar-se às autoridades, a fim de serem recolhidos às prisões”, declarou Vargas, demonstrando uma visão pragmática sobre o futuro dos revolucionários.
A Questão da Anistia e a Situação Financeira do País
Questionado sobre a possibilidade de anistia aos rebeldes, Vargas afirmou que a maioria da política dominante não era favorável à medida, enquanto os revolucionários permanecessem armados. Ele destacou a escassez de recursos militares dos revolucionários, limitando sua capacidade de luta a “simples correrias de cangaceiros”.
Em relação à situação financeira do país, Vargas reconheceu os desafios, mas apontou para melhorias significativas com as medidas adotadas pelo governo federal para combater o inflacionismo. “A situação financeira, com as medidas aplicadas com firmeza pelo governo federal, combatendo o inflacionismo, tem melhorado muito, refletindo-se na alta do câmbio e no equilíbrio orçamentário”, afirmou. No entanto, ele ressaltou que o equilíbrio orçamentário era um processo lento, exigindo “firme decisão” e “constante compressão de despesas inúteis ou adiáveis”.
A Frente Única Rio-Grandense e a Sucessão Presidencial
O jornalista Bruni também questionou Vargas sobre a possibilidade de uma frente única das bancadas rio-grandenses no Congresso Nacional. Vargas esclareceu que não havia uma combinação formal nesse sentido, mas sim um entendimento pontual para pleitear medidas de interesse geral do estado, independentemente das divergências políticas. “Se trata de assuntos de natureza administrativa e não de assuntos políticos”, enfatizou.
Por fim, Vargas negou veementemente que sua viagem a Brasília estivesse relacionada à sucessão presidencial do Rio Grande do Sul, afirmando que sua presença na capital federal se restringia ao gozo de suas férias parlamentares. Ele ressaltou que a decisão sobre a sucessão presidencial caberia ao chefe do partido republicano, Dr. Borges de Medeiros.
A entrevista concedida ao Correio do Povo em 1926 oferece um retrato fascinante do pensamento de Getúlio Vargas em um momento crucial da história brasileira. Suas palavras revelam um líder político astuto, pragmático e preocupado com o futuro do país.
Para mais informações sobre a história do Brasil, consulte o site do Governo Federal.
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