João Campos: Câmara do Recife Rejeita Impeachment em Meio a Controvérsias

Câmara do Recife Rejeita Impeachment de João Campos
Em uma sessão tensa e marcada por protestos, a Câmara Municipal do Recife rejeitou, nesta terça-feira (3 de fevereiro de 2026), a abertura de processo de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). A decisão encerra, por ora, uma saga que começou em dezembro de 2025, após questionamentos sobre a modificação de um concurso público para procurador municipal.
O Caso que Levou ao Pedido de Impeachment
O cerne da discussão reside em uma alteração no resultado de um concurso público. Inicialmente, o advogado Marko Venício dos Santos Batista foi o único aprovado nas vagas para pessoas com deficiência (PCD). No entanto, a nomeação foi revogada em favor de Lucas Vieira Silva, filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas (MPCO) e de um juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
Lucas havia participado do concurso sem optar pelas vagas PCD, mas solicitou reinscrição após receber um diagnóstico de autismo dois anos depois. A decisão de alterar o resultado gerou grande repercussão e críticas, levando ao pedido de impeachment.
A Votação na Câmara
Para que o processo de impeachment fosse aberto, eram necessários votos favoráveis da maioria simples dos 37 vereadores. No entanto, a proposta obteve apenas 9 votos a favor, 25 contrários e uma abstenção. A vereadora Jô Cavalcanti (PSOL) se absteve, enquanto os vereadores Agora é Rubem (PSB) e Flávia de Nadegi (PV) não votaram.
A sessão foi marcada por manifestações de grupos pró e contra o impeachment, com momentos de tensão e discussões acaloradas entre os vereadores.
Os Argumentos Apresentados
O vereador Eduardo Moura (Novo), autor do pedido de impeachment, argumentou que o prefeito João Campos cometeu crime de responsabilidade e atos de improbidade administrativa ao alterar o resultado do concurso. Ele classificou a mudança como uma “canetada” que prejudicou um candidato em favor do filho de um juiz.
Em contrapartida, o líder do governo na Câmara, Samuel Salazar (MDB), defendeu o prefeito, classificando o pedido de impeachment como “completamente vazio” e afirmando que João Campos apenas assinou uma portaria, sem ter ingerência em outros atos administrativos.
O Que Acontece Agora?
Com a rejeição do pedido de abertura do processo de impeachment, João Campos permanece no cargo. A decisão encerra, por ora, a investigação sobre as acusações, mas a polêmica em torno do caso continua a gerar debates na sociedade pernambucana.
Veja como votaram os vereadores:
- Votaram Sim: Alcides Teixeira Neto (Avante), Alef Collins (PP), Davi Muniz (PSD), Felipe Alecrim (Novo), George Bastos (Novo), Gilson Machado Filho (PL), Paulo Muniz (PL), Thiago Medina (PL), Fred Ferreira (PL).
- Votaram Não: Aderaldo Pinto (PSB), Carlos Muniz (PSB), Chico Kiko (PSB), Cida Pedrosa (PCdoB), Eduardo Mota (PSB), Eriberto Rafael (PSB), Fabiano Ferraz (MDB), Felipe Francismar (PSB), Gilberto Alves (PRD), Hélio Guabiraba (PSB), Júnior Bocão (PSD), Júnior de Cleto (PSB), Kari Santos (PT), Liana Cirne (PT), Luiz Eustáquio (PSB), Natália de Menudo (PSB), Osmar Ricardo (PT), Professora Ana Lúcia (Republicanos), Rinaldo Júnior (PSB), Rodrigo Coutinho (Republicanos), Romerinho Jatobá (PSB), Samuel Salazar (MDB), Tadeu Calheiros (MDB), Wilton Brito (PSB), Zé Neto (PSB).
- Abstenções: Jô Cavalcanti (PSOL), Agora é Rubem (PSB), Flávia de Nadegi (PV).
Fonte: G1 Pernambuco
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