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Jorge Messias no STF: A Saga da Indicação e os Desafios no Senado

Jorge Messias no STF: A Saga da Indicação e os Desafios no Senado

temp_image_1775036453.945634 Jorge Messias no STF: A Saga da Indicação e os Desafios no Senado



Jorge Messias no STF: A Saga da Indicação e os Desafios no Senado

Jorge Messias no STF: A Saga da Indicação e os Desafios no Senado

A indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido palco de intensas negociações e disputas políticas. Após um período de espera de quatro meses, imposto pela cautela do presidente Lula em relação ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a base aliada do governo agora busca acelerar a sabatina de Messias ainda no primeiro semestre, evitando que o calendário eleitoral complique a aprovação do advogado-geral da União.

Enquanto aliados de Lula buscam agilizar o processo, a oposição articula nos bastidores para adiar a votação para após as eleições, apostando em um possível revés do presidente nas urnas e na chance de reverter a indicação. A proximidade da sabatina com o pleito de outubro é vista como um fator de risco, já que ⅔ do Senado serão renovados, com a expectativa de um aumento da representação da direita, impulsionada por discursos críticos ao STF e pela defesa do impeachment de ministros da Corte.

A Estratégia do Governo e os Riscos Eleitorais

A avaliação dentro do governo é que quanto mais próxima a sabatina estiver das eleições, maiores serão as dificuldades para Messias. Senadores temem que votar a favor do indicado às vésperas do pleito possa ser politicamente custoso, especialmente para aqueles que adotam uma retórica crítica ao STF em suas campanhas. “Se muitos estão hoje em campanha com discurso crítico ao STF, como sustentarão o voto favorável a um nome indicado pelo presidente Lula? Do ponto de vista eleitoral, seria um desastre”, afirma uma fonte próxima às negociações.

O Papel da Bancada Evangélica

Jorge Messias, diácono da Igreja Batista Cristã de Brasília, conta com o apoio da crescente bancada evangélica no Senado. Um estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) revela que a bancada evangélica saltou de 7 para 13 senadores entre 2018 e 2022. Parlamentares evangélicos defendem pautas conservadoras, como a restrição ao aborto e a oposição à união homoafetiva, temas frequentemente judicializados no STF. A forte identificação com a fé é vista como um trunfo para Messias, com a crença de que “um evangélico genuíno não daria voto contra”.

Resistências e Articulações

Apesar do apoio da bancada evangélica, a indicação de Messias enfrenta resistência de parlamentares que o consideram um “quadro ideológico do PT” e “homem de confiança de Lula e Dilma”. A articulação do Planalto em torno da candidatura de Pacheco para o governo de Minas Gerais também teria contribuído para diminuir a resistência no Senado. A atuação do ministro André Mendonça, do STF, em conversas com parlamentares da direita, também é vista como um fator positivo para a aprovação de Messias.

O Histórico do Senado e os Precedentes

Historicamente, o Senado raramente rejeita indicações de ministros do STF feitas pelo presidente da República. No entanto, a recente recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, com uma margem apertada de apenas quatro votos acima do mínimo exigido, acendeu um sinal de alerta no Palácio do Planalto. A rejeição da indicação de Igor Roque para a Defensoria Pública da União em 2023 também demonstra que a aprovação não é garantida.

Jorge Messias tem adotado uma postura cautelosa, aguardando o envio da “mensagem ao Senado” por Lula. Em nota, afirmou que continuará sua jornada no Senado “com humildade e fé”, valorizando o diálogo e a conciliação. A saga da indicação de Jorge Messias ao STF continua, com um desfecho incerto que dependerá da articulação política e do cenário eleitoral.

Para mais informações sobre o cenário político e econômico do Brasil, consulte a Folha de S.Paulo.


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