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Keiko Fujimori e as Eleições no Peru: Um Cenário Político Turbulento

Keiko Fujimori e as Eleições no Peru: Um Cenário Político Turbulento

temp_image_1775993867.451508 Keiko Fujimori e as Eleições no Peru: Um Cenário Político Turbulento



Keiko Fujimori e as Eleições no Peru: Um Cenário Político Turbulento

Keiko Fujimori e as Eleições no Peru: A Busca por Estabilidade

Os peruanos foram às urnas neste domingo (12 de abril de 2026) em busca de um novo líder, com a esperança de romper um ciclo de turbulência política que tem impedido qualquer presidente de completar um mandato completo na última década. A instabilidade, marcada por escândalos de corrupção, aumento da criminalidade e frustração generalizada dos eleitores, coloca em xeque o futuro do país.

Um Mar de Candidatos

Cerca de 27 milhões de peruanos estavam aptos a votar para escolher um novo presidente e os membros de um congresso bicameral recentemente restabelecido. A disputa deste ano se destacou por um número recorde de 35 candidatos à presidência, a maior marca da história peruana. As seções eleitorais abriram às 7h (horário local, 9h em Brasília) e fecharam às 17h, com a contagem de cédulas de papel que atingiram quase meio metro (44 centímetros) de comprimento – as maiores já utilizadas no país.

Keiko Fujimori na Frente, Mas Sem Garantias

As pesquisas de opinião indicavam uma ligeira vantagem para a candidata de direita, Keiko Fujimori. No entanto, a disputa se mostrava acirrada, com pelo menos três concorrentes logo atrás. Entre eles, destacam-se dois ex-prefeitos de Lima, Rafael López Aliaga (ultraconservador) e Ricardo Belmont (empresário de mídia), além do candidato outsider Carlos Álvarez, um ex-comediante.

A fragmentação do cenário político é evidente, com nenhum candidato superando 15% nas intenções de voto. Analistas preveem, portanto, um segundo turno em junho, onde a decisão final será tomada.

Um Cenário Fragmentado e Indeciso

A proximidade entre os candidatos, somada a um alto índice de eleitores indecisos (cerca de 13%), torna o resultado imprevisível. Especialistas alertam que mesmo candidatos com menor apoio nas pesquisas não podem ser descartados. Essa fragmentação reflete um declínio institucional mais profundo, com o Peru tendo passado por oito presidentes desde 2018, muitos dos quais sofreram impeachment, foram presos ou forçados a renunciar.

Corrupção e Segurança: As Principais Preocupações

A luta contra a corrupção é um tema central na campanha, com quatro ex-presidentes atualmente presos, envolvidos em casos de suborno relacionados à empresa de construção Odebrecht. A insegurança pública também se tornou uma preocupação crescente, com aumento dos homicídios e da extorsão, especialmente entre trabalhadores do setor de transportes e pequenas empresas. UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) tem acompanhado de perto a situação.

Diante desse cenário, propostas mais duras e populistas ganham força, refletindo uma tendência latino-americana mais ampla. Algumas sugestões incluem o envio de tropas, o restabelecimento da pena de morte, a retirada de tribunais internacionais de direitos humanos e a implementação de “juízes sem rosto”, medidas que não são vistas no país desde 1997.

As eleições de 2026 representam um momento crucial para o Peru, com a possibilidade de romper com o ciclo de instabilidade ou de permanecer preso a ele. A escolha do próximo presidente terá um impacto significativo no futuro do país.


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