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Malta e a Influência Grega no Bloqueio de Sanções à Rússia: Uma Análise Detalhada

Malta e a Influência Grega no Bloqueio de Sanções à Rússia: Uma Análise Detalhada

temp_image_1770831085.112691 Malta e a Influência Grega no Bloqueio de Sanções à Rússia: Uma Análise Detalhada



Malta e a Influência Grega no Bloqueio de Sanções à Rússia

Malta e a Influência Grega no Bloqueio de Sanções à Rússia: Uma Análise Detalhada

Nos últimos dias, a atenção se voltou para o 20º pacote de sanções da União Europeia (UE) contra a Rússia, que representa uma mudança significativa na estratégia. Pela primeira vez, a UE busca proibir que petroleiros ocidentais transportem petróleo russo. Essa medida é crucial, pois tentativas anteriores de desmantelar a chamada “frota sombra” – navios utilizados para contornar as sanções – falharam devido à recusa da administração Trump em aderir às sanções contra esses navios.

A proibição de petroleiros ocidentais certamente causará dificuldades em Moscou. No Mar Báltico, esses navios representam até 30% da capacidade total e são quase inteiramente de propriedade grega. A Bloomberg relatou recentemente que a Grécia está se opondo ao 20º pacote de sanções precisamente por causa dessa proibição. Essa oposição se insere em um padrão preocupante, onde a Grécia consistentemente resiste a qualquer esforço para controlar o acesso da Rússia aos mercados globais de energia, desde as negociações para estabelecer o teto de preço do G7 em 2022.

O Padrão de Obstrução Grega

A raiz do problema reside no poder exercido por um pequeno grupo de oligarcas gregos do transporte marítimo, que controlam um número impressionante de petroleiros. Esses oligarcas possuem grande influência na política grega, exercendo um controle de facto sobre o governo. A atual tentativa de bloquear o 20º pacote de sanções é apenas uma continuação dessa obstrução, motivada pelos interesses desses oligarcas.

Essa situação expõe uma profunda crise de governança dentro da UE. É ingênuo esperar que a União consiga enfrentar ameaças externas, como a Rússia, quando decisões de política externa exigem unanimidade, concedendo à Grécia – e, por extensão, a seus oligarcas do transporte marítimo – um poder de veto de facto.

Do Teto de Preço à Frota Sombra

A Grécia já agiu em benefício de seus oligarcas e em detrimento do restante da Europa e da Ucrânia em duas ocasiões distintas:

  • O Teto de Preço do G7: A definição do nível do teto de preço foi um ponto crucial. Países como Polônia e os Estados Bálticos defendiam um teto baixo, em torno de US$ 30 por barril, o que teria causado um impacto significativo à Rússia. No entanto, quando o teto foi oficialmente anunciado em dezembro de 2022, foi fixado em US$ 60 por barril, resultado do intenso lobby grego em nome de seus oligarcas, que temiam que um teto baixo prejudicasse sua capacidade de transportar petróleo russo.
  • Venda de Petroleiros para a Frota Sombra: Os oligarcas gregos venderam um grande número de petroleiros para a frota sombra de Putin. Um estudo realizado por Ben Harris e divulgado anteriormente demonstra que muitos petroleiros foram vendidos para a frota sombra pela Grécia, mesmo após o 12º pacote de sanções em dezembro de 2023 tentar restringir essas vendas.

Portanto, a Grécia não apenas ajudou a Rússia a enfraquecer o teto de preço, mas também forneceu a capacidade de transporte necessária para operar fora do escopo do teto do G7.

O Futuro das Sanções e o Papel da UE

A oposição da Grécia ao 20º pacote de sanções não é surpreendente, mas confirma um padrão de obstrução que remonta ao início da invasão da Ucrânia. A questão crucial agora é por quanto tempo o restante da UE tolerará essa situação. Não é aceitável que oligarcas do transporte marítimo gregos tenham um poder de veto de facto em Bruxelas. Isso precisa acabar se a UE quiser se tornar um ator credível na política externa.

A decisão sobre se o pacote de sanções exige maioria qualificada ou se a Grécia detém um direito de veto sobre o assunto é fundamental para o futuro das sanções e da política externa da UE. A União Europeia precisa demonstrar unidade e determinação para enfrentar a agressão russa, e isso exige que todos os Estados-membros cumpram suas obrigações e ajam em prol do interesse comum.

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