Orlando Silva: A Montanha a Escalar e os Riscos do Otimismo Ingênuo nas Eleições

Orlando Silva: A Montanha a Escalar e os Riscos do Otimismo Ingênuo nas Eleições
É sempre bom ter em mente o tamanho da montanha a escalar. Essa frase, atribuída a Antônio Gramsci, ecoa como um lembrete crucial para a luta política: a necessidade de um diagnóstico rigoroso da realidade antes de projetar ações transformadoras. É fundamental evitar a armadilha de diagnósticos edulcorados e a falsa modéstia, especialmente em tempos eleitorais.
O Perigo do Otimismo Complacente
Observo com preocupação um certo otimismo excessivo em setores da esquerda, como se a vitória de Lula fosse garantida e Flávio Bolsonaro um adversário facilmente superável. Essa visão míope ignora a dureza da batalha que se aproxima, um erro que nos desarmaria para o combate. É imperativo manter os pés no chão e controlar a emoção.
Conquistas e Desafios do Governo Atual
Chegamos ao ano eleitoral com resultados importantes a apresentar: crescimento econômico, queda do desemprego, inflação controlada e um governo em plena atividade. A retomada da bandeira nacional das mãos do bolsonarismo, a partir de meados do ano passado, nos permitiu sair da defensiva e recuperar terreno. As manifestações contra a PEC da Impunidade e o PL da Dosimetria foram cruciais para pressionar o Congresso e aprovar medidas importantes, como a isenção do imposto de renda até 5 mil reais.
Uma Disputa Apertada e a Necessidade de Estratégia
Apesar dos avanços, a divisão política no Brasil indica uma disputa eleitoral apertada, uma nova guerra por uma pequena fração do eleitorado. Pesquisas recentes, como a da Quaest, mostram Lula liderando, mas com margens estreitas, entre 4% e 8% no primeiro turno e 5% no segundo. Não há espaço para erros ou acomodação!
A Conscientização de Lula e a Desconstrução do Bolsonarismo
O próprio presidente Lula reconhece a dificuldade da disputa. Em conversas recentes, ele me confidenciou que este mandato já entregou mais do que os anteriores, mas que, além das realizações, é crucial desconstruir o bolsonarismo e apresentar novas perspectivas de esperança à população. Sua mobilização é um exemplo a ser seguido.
A Escalada da Montanha: Desafios e Golpes Baixos
A luta será árdua, enfrentando golpes baixos, a influência da máquina de fake news, impulsionada pela inteligência artificial, a força do poder econômico e o apoio de governos estaduais e prefeituras. Além disso, testemunhamos um projeto de naturalização do fascismo com a candidatura de Flávio Bolsonaro, que se apresenta como uma versão “light” de seu pai, buscando a confiança do mercado e adotando uma linguagem neutra – uma estratégia calculada e falsa.
O Zero Um Solto e a Urgência de um Freio de Arrumação
Inexplicavelmente, Flávio Bolsonaro está agindo livremente, sem oposição efetiva, enquanto nosso campo se vê obrigado a lidar com questões menores. É hora de um “freio de arrumação”, pois a naturalização do fascismo é o maior perigo, e isso precisa ser dito com clareza ao povo brasileiro.
Quem é Flávio Bolsonaro?
Flávio Bolsonaro é um político experiente, parte do sistema, apesar de se apresentar como antissistema. É um traidor da pátria, defensor de políticas prejudiciais ao Brasil, amante da ditadura militar, reacionário, negacionista, violento e corrupto. Em suma, Flávio Bolsonaro é a continuidade do bolsonarismo!
Realismo e Foco: A Chave para a Vitória
Não quero desanimar ninguém, mas a dimensão da luta exige menos celebração prematura e mais foco, realismo e pés no chão. Pessimismo da inteligência, otimismo da vontade! Xô salto alto! Esse é o maior inimigo em qualquer eleição.
Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.
Orlando Silva
Deputado Federal (PCdoB-SP)
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