Portugal: A Geração Desiludida e o Futuro do Ensino Superior

Portugal: A Geração Desiludida e o Futuro do Ensino Superior
Avançamos com a geração mais qualificada da história de Portugal, mas o que encontramos? Salários baixos, condições de trabalho precárias e a crescente dificuldade de alcançar a tão sonhada emancipação. Este desalinhamento entre esforço e recompensa está corroendo o nosso tecido social, gerando uma profunda desilusão.
O Ensino Superior como Motor de Igualdade
O sistema educativo português, ao longo dos últimos 30 anos, desempenhou um papel crucial na expansão do acesso ao Ensino Superior. Essa abertura criou uma base sólida para a redução das desigualdades sociais, posicionando Portugal como o quarto país da OCDE com a maior diferença percentual entre estudantes de diferentes estratos socioeconômicos. Além disso, Portugal se destaca como o país da União Europeia onde os pais dos estudantes apresentam as menores qualificações, evidenciando o progresso intergeracional.
A Promessa Não Cumprida
No entanto, garantir o acesso não é suficiente. É imperativo assegurar condições reais de permanência e sucesso acadêmico. A promessa de um futuro melhor, associada ao Ensino Superior, tem se mostrado vazia para muitos. Cerca de 20% dos estudantes de licenciatura relatam não se sentirem pertencentes ao ambiente acadêmico, e Portugal figura entre os países com menor bem-estar mental entre seus alunos.
Esses números alarmantes são sintomas de um sistema que, apesar de aberto, falha em proporcionar condições de sucesso comparáveis às de outros países europeus. Uma geração inteira se vê frustrada, resultado de um sistema que não cumpriu o prometido.
Um Problema Estrutural
Este problema não é apenas pontual, mas sim estrutural, enraizado em nosso contrato social. A desilusão da geração mais qualificada impacta diretamente o nosso senso de comunidade. É crucial iniciar reflexões em todos os níveis – universitário, governamental e social – sobre a promoção do sucesso acadêmico e a redefinição do que significa ser bem-sucedido no contexto atual.
Alimentando a Esperança
É preciso equilibrar o rigor e a excelência com a garantia de que o Ensino Superior não se torne uma competição darwiniana, onde apenas os mais fortes prosperam. Nas palavras de António Sampaio da Nóvoa, devemos alimentar imaginários de esperança, para não alienarmos uma geração com potencial para superar as anteriores.
Todos os envolvidos – estudantes, governantes, associações acadêmicas e reitorias – devem recentrar seus debates na exigência de resultados positivos. O Ensino Superior deve reafirmar seu papel vanguardista, formando não apenas para o presente, mas também pavimentando o caminho para o futuro.
Essa mudança dará forma à proposição aristotélica de que a esperança é o sonho do homem acordado.
Para saber mais:
- Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)
- Expresso – Fonte original do artigo
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