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Crise na Unimed Ferj: Pacientes Oncológicos Acusam Operadora de Negligência no Rio

Crise na Unimed Ferj: Pacientes Oncológicos Acusam Operadora de Negligência no Rio

temp_image_1756509478.071212 Crise na Unimed Ferj: Pacientes Oncológicos Acusam Operadora de Negligência no Rio

Crise na Unimed Ferj: Pacientes Oncológicos Acusam Operadora de Negligência no Rio

Uma grave situação envolvendo a Unimed Ferj vem à tona no estado do Rio de Janeiro, gerando preocupação e revolta entre centenas de beneficiários. Mais de 50 pacientes com câncer acusam a operadora de saúde de negligência após mudanças drásticas e problemáticas no atendimento oncológico. As denúncias incluem descredenciamento de clínicas especializadas, interrupção no fornecimento de medicamentos essenciais e uma infraestrutura inadequada para a demanda crescente de tratamentos vitais.

O Epicentro da Crise: Descredenciamento e o Novo Espaço Cuidar Bem

No final de julho, a Unimed Ferj decidiu centralizar os atendimentos oncológicos em uma nova unidade: o Espaço Cuidar Bem, inaugurado em Botafogo, Zona Sul do Rio, em 1º de agosto. Contudo, essa transição veio acompanhada de sérios problemas. Pacientes relatam o descredenciamento abrupto de renomadas oncoclínicas e médicos especializados que antes faziam parte da rede.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) registrou um aumento alarmante de reclamações contra a operadora. Somente em agosto, foram 1.671 queixas, sendo 57 delas diretamente relacionadas ao novo Espaço Cuidar Bem. No acumulado de janeiro a julho de 2025, a Unimed Ferj já havia somado mais de 12 mil reclamações em todo o estado, quase 9 mil apenas na capital fluminense. A principal queixa? Dificuldade extrema no agendamento de tratamentos e a notória falta de medicamentos cruciais.

Vozes da Angústia: Relatos que Chocam

A realidade dos beneficiários é dolorosa e complexa. Ouvimos depoimentos que ilustram a urgência e o desespero:

  • Regina da Quinta: Diagnostica com câncer de mama em 2022, Regina foi avisada em 31 de julho que não poderia mais ser atendida na Oncoclínica de Ipanema, pois a unidade havia sido descredenciada. “Começou a via crucis. Só tive uma consulta no dia 27, com um oncologista que não tratava de mama. Minha medicação não tinha. Pedi uma declaração e a data do retorno, mas me negaram”, relata, expondo a burocracia e a falta de sensibilidade em um momento tão delicado.
  • Carlyle Marriot: Precisou recorrer à justiça para garantir a quimioterapia de sua esposa, também paciente oncológica. “Entrei com ação de obrigação de fazer e o juiz concedeu a liminar. Ela foi atendida, mas chegamos às oito e meia da manhã e só foi iniciar o tratamento às sete da noite”, lamenta, destacando a exaustão física e emocional imposta aos pacientes.
  • José Maurício do Rêgo Monteiro: Sofrendo com mieloma múltiplo desde 2016, José Maurício ficou 12 dias sem um dos remédios essenciais após o descredenciamento da rede Oncoclínica pela Unimed Ferj. “No primeiro dia já faltou o remédio. Consegui tomar outra injeção após 10 horas de espera, mas até quando, não sei”, desabafa sobre a incerteza e a interrupção de um tratamento contínuo.

A situação chegou a um ponto de tensão extrema, com relatos de confusão entre funcionários e pacientes em busca de atendimento, evidenciando o colapso do sistema.

O Que Dizem as Partes: ANS e Unimed Ferj

Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)

A ANS declarou que a Unimed Ferj está sob monitoramento permanente e fiscalização rigorosa. Em dezembro de 2024, a operadora assinou um Termo de Compromisso (TC), no qual se compromete a implementar práticas para garantir a entrega e manutenção dos serviços de assistência à saúde. A agência reforça que a Unimed Ferj continua obrigada a oferecer todos os procedimentos determinados por lei e que atua na intermediação de conflitos através da Notificação de Intermediação Preliminar (NIP), que busca solucionar problemas em até 5 a 10 dias úteis. Para mais informações sobre seus direitos e como registrar uma reclamação, visite o site oficial da ANS.

A Resposta da Unimed Ferj

Em nota, a Unimed Ferj contesta as acusações, afirmando que não há falta de medicamentos e que grande parte da procura pelo novo serviço se dá em busca de informações. A operadora justifica que, “devido à migração de dados provenientes do prestador anterior, os pacientes estão sendo contatados para detalhamento e continuidade dos tratamentos”. A Unimed Ferj ainda garante que o Espaço Cuidar Bem foi projetado para atender com qualidade até 10 mil pessoas por mês, priorizando o cuidado e a segurança do paciente.

O Impacto e o Caminho a Seguir

Enquanto a Unimed Ferj tenta justificar as falhas e a ANS intensifica a fiscalização, os pacientes oncológicos do Rio de Janeiro seguem em uma luta diária por seus direitos e pela continuidade de seus tratamentos. Essa situação ressalta a importância de um sistema de saúde suplementar robusto e responsável, capaz de oferecer o suporte necessário em momentos tão cruciais.

Para os beneficiários, a vigilância e o conhecimento de seus direitos são ferramentas poderosas. Em casos de negativa de atendimento ou descontinuidade de tratamento, buscar os canais da ANS e, se necessário, a via judicial, pode ser o único caminho para garantir o acesso à saúde que lhes é de direito.

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