Doença Nipah: O Que Você Precisa Saber Sobre o Vírus Mortal

Doença Nipah: Alerta Global e o Cenário Brasileiro
O vírus Nipah (NiV) tem gerado preocupação em todo o mundo, classificado como uma prioridade pela Organização Mundial da Saúde (OMS) devido ao seu potencial para desencadear epidemias. A ausência de vacina e tratamento específico torna a doença ainda mais alarmante. Mas, afinal, o que é a doença Nipah, como ela se transmite e qual o risco para o Brasil?
O Que é a Doença Nipah?
A doença Nipah é uma infecção viral que pode causar tanto infecções respiratórias agudas quanto encefalite, ou seja, inflamação do cérebro. A transmissão ocorre entre humanos e, principalmente, de animais para humanos, com morcegos e porcos desempenhando um papel crucial na disseminação do vírus.
Surtos Recentes e a Preocupação Global
Com o recente surto na Índia e a alta taxa de letalidade, a preocupação com a possibilidade de uma nova epidemia global aumentou. Nas redes sociais, a pergunta que ecoou foi: o Brasil poderia ser o próximo a enfrentar essa ameaça, especialmente às vésperas do Carnaval?
Risco no Brasil: Motivos para Alívio (Por Enquanto)
A boa notícia é que, de acordo com especialistas, o risco de um surto da doença Nipah no Brasil é considerado baixo no momento. Isso se deve à ausência do principal hospedeiro do vírus em nosso território: os morcegos frugívoros da espécie Pteropus, conhecidos como raposas-voadoras, comuns na Ásia e na África.
“O vírus Nipah ainda não consegue se transmitir de forma eficiente entre pessoas, o que impede que se torne uma pandemia”, explica o professor Paulo Eduardo Brandão, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP.
O Ministério da Saúde também emitiu uma nota oficial desmentindo a confirmação de casos no país e reforçando que os protocolos de vigilância epidemiológica estão em pleno funcionamento. A OMS compartilha dessa avaliação, indicando que o surto recente na Índia está sob controle.
Sintomas e Gravidade da Doença
A infectologista Rosana Richtmann, do Grupo Santa Joana, destaca a agressividade do vírus Nipah, especialmente em relação ao sistema nervoso central. Os sintomas iniciais podem ser confundidos com outras viroses, como febre, dor de cabeça e dores no corpo. No entanto, a doença pode evoluir rapidamente para um quadro de alteração do nível de consciência, problemas neurológicos, coma e, em casos graves, levar à morte.
Como Ocorre a Transmissão?
A doença Nipah é zoonótica, ou seja, transmitida de animais para humanos. A principal via de transmissão é através do contato com morcegos e porcos infectados. Além disso, a contaminação pode ocorrer pelo consumo de alimentos contaminados e pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas. A transmissão de pessoa para pessoa, embora possível, é mais comum em profissionais de saúde.
Diagnóstico e Tratamento
O diagnóstico da infecção é realizado com base no histórico clínico do paciente e por meio de testes laboratoriais, como a reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR) e a detecção de anticorpos.
Infelizmente, não existe tratamento específico para a doença Nipah. O tratamento é de suporte, visando aliviar os sintomas e manter as funções vitais do paciente, como hidratação e controle da pressão arterial.
Histórico de Surtos
O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto na Malásia que afetou criadores de suínos. Desde então, surtos foram registrados em Bangladesh, com ocorrências quase anuais, e na Índia, com um surto particularmente grave em 2018.
A crescente proximidade entre animais e humanos, devido à perda de habitat natural, tem contribuído para o aumento do risco de transmissão do vírus. A OMS alerta que outras regiões também podem estar em risco, uma vez que evidências do vírus foram encontradas em morcegos em diversos países, incluindo Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia.
Mantenha-se Informado
Acompanhe as notícias e informações divulgadas pelas autoridades de saúde para se manter atualizado sobre a doença Nipah e as medidas de prevenção.
Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS)
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