Maruim: A Infestação que Aterroriza Santa Catarina e Prende Moradores em Casa

Maruim: A Infestação que Aterroriza Santa Catarina e Prende Moradores em Casa
Moradores de Ilhota, no Vale do Itajaí, Santa Catarina, estão enfrentando uma verdadeira batalha contra o maruim, um mosquito cuja picada causa intensa irritação, coceira e representa um risco à saúde pública, podendo transmitir doenças como a Febre do Oropouche. A situação, que se agrava a cada dia, tem transformado a rotina da população local.
O Pesadelo no Vale do Itajaí
A região do Braço do Baú é uma das mais afetadas, segundo a prefeitura de Ilhota. Relatos de moradores descrevem um cenário de verdadeiro isolamento, com casas mantidas constantemente fechadas e ventiladores ligados para tentar amenizar o calor e afastar os insetos. A infestação de maruim chegou a um ponto crítico, impactando a qualidade de vida e o bem-estar da comunidade.
“Durante o dia, a gente está preso como prisioneiros dentro das nossas casas. Nós somos prisioneiros das nossas casas”, desabafa Patricia Zigoski Uchôa, moradora da região.
Jaqueline Fischer complementa: “Tem que botar calça, casaco, luvas, nesse calorão. Os bichos avançam no rosto da gente”.
A Dificuldade no Combate ao Inseto
Apesar das tentativas de contato com as autoridades, os moradores ainda não receberam uma resposta efetiva para o problema. A falta de um produto comprovadamente eficaz no combate ao maruim tem dificultado o controle da infestação, que também foi registrada no município vizinho de Luiz Alves. O município tem utilizado larvicida biológico para outros mosquitos, mas este não apresenta o mesmo efeito contra o maruim.
Impacto na Saúde e Bem-Estar
A aposentada Veronita Pelz, que enfrenta um problema de saúde, relata que não consegue sequer sair do quarto para aproveitar o sol, essencial para sua recuperação. “O médico até me mandou pegar um sol, porque o sol tem vitamina. Essa semana até estava internada a semana inteira, e ninguém quer ficar no hospital, né? Mas lá é um sossego, porque não tem maruim”, lamenta.
Entendendo o Maruim: Biologia e Riscos
Em 2024, quando Luiz Alves decretou situação de emergência devido ao maruim, o professor de ecologia e zoologia Luiz Carlos de Pinha, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou que apenas as fêmeas do mosquito picam, utilizando a picada como suplemento alimentar para a produção de ovos. A picada causa irritação na pele, ardência e, em casos de alta infestação, pode levar à transmissão de patógenos.
“O mais comum, mais claro é o incômodo que ela causa, essa queimação na pele, ardência bem incômoda mesmo”, explica o professor Pinha.
Além do incômodo, o maruim pode transmitir a Febre do Oropouche, doença com sintomas semelhantes aos da dengue, como dor nas articulações e febre. O mosquito também pode afetar animais da pecuária, causando surtos de doenças.
Para mais informações sobre o maruim e a situação em Santa Catarina, você pode consultar a reportagem completa do g1 SC.
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