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Polilaminina: Riscos, Mortes e o Debate sobre o Uso Compassivo

Polilaminina: Riscos, Mortes e o Debate sobre o Uso Compassivo

temp_image_1770958538.726609 Polilaminina: Riscos, Mortes e o Debate sobre o Uso Compassivo



Polilaminina: Riscos, Mortes e o Debate sobre o Uso Compassivo

Polilaminina: Avanço Médico em Xeque Após Relatos de Mortes

A polilaminina, uma substância em fase de testes para o tratamento de lesões medulares, está no centro de um debate acalorado após o registro de três mortes em pacientes que receberam aplicações nos últimos dez dias. O laboratório Cristália, responsável pela pesquisa e produção da substância, afirma que as causas dos óbitos não estão relacionadas à polilaminina, mas sim aos quadros de saúde preexistentes dos pacientes.

O que Aconteceu?

De acordo com a Cristália, a primeira morte ocorreu no Espírito Santo, em 28 de janeiro, devido a uma embolia pulmonar. A segunda, no Paraná, em 1º de fevereiro, por pneumonia, e a terceira, no Rio de Janeiro, em 9 de fevereiro, por septicemia. A empresa ressalta que nenhuma das vítimas havia recebido alta hospitalar e todas apresentavam outras complicações médicas durante a internação.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não se pronunciou sobre o caso, apesar dos questionamentos da imprensa. Especialistas alertam para os riscos inerentes a procedimentos em fase de estudos clínicos, enfatizando que os efeitos colaterais são desconhecidos e só podem ser identificados durante a pesquisa.

Polilaminina: O que é e como funciona?

A polilaminina é uma molécula que tem demonstrado potencial na regeneração de tecidos nervosos. Em pacientes com lesões medulares, a aplicação direta na medula espinhal visa promover a recuperação da sensibilidade e da motricidade. No entanto, para que a terapia seja eficaz, os pacientes precisam seguir um rigoroso programa de reabilitação com fisioterapia intensiva.

Segundo a bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, líder dos estudos sobre a polilaminina na UFRJ, o uso compassivo – obtido por meio de decisões judiciais – não é o ideal, pois carece do rigor científico necessário para a coleta e análise de dados. “O cenário do uso compassivo não é o ideal, porque não há rigor científico na abordagem dos casos. Não há coleta sistemática dos dados. Vários processos estão sob segredo de Justiça e nem acesso à família se pode ter”, lamenta a pesquisadora.

Uso Compassivo e Liminares Judiciais

Até o momento, 37 pessoas conseguiram liminares judiciais para realizar o procedimento de aplicação da polilaminina. De acordo com a farmacêutica responsável, 19 pacientes já foram atendidos em pelo menos oito estados. A reportagem da Folha de S.Paulo acompanha a recuperação de 13 pacientes que receberam a substância por meio judicial desde dezembro do ano passado, todos relatando algum nível de ganho motor ou de sensibilidade.

Os pacientes que faleceram não estão entre os 13 acompanhados pela reportagem. A Cristália não cobra pelos procedimentos realizados por ordem judicial, que são realizados em hospitais públicos e privados.

Riscos e Perspectivas

Apesar dos resultados promissores em alguns casos, os riscos associados à polilaminina ainda são desconhecidos. A pesquisa científica continua em andamento, e a Anvisa deverá avaliar cuidadosamente os dados para determinar a segurança e a eficácia da substância antes de autorizar seu uso generalizado.

Para saber mais sobre lesões medulares e as pesquisas em andamento, consulte o site da Spinal Cord Injury Association (em inglês).


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