Tirzepatida: A Febre das Canetas Emagrecedoras e os Riscos do Contrabando

Tirzepatida: A Febre das Canetas Emagrecedoras e os Riscos do Contrabando
A busca por um corpo ideal tem levado muitos brasileiros a arriscarem a saúde com a compra ilegal de canetas emagrecedoras, especialmente aquelas que contêm tirzepatida. O Fantástico investigou a fundo essa febre que atravessou a fronteira, transformando-se em um problema de saúde pública no Brasil.
O Crescimento Alarmante do Contrabando
O contrabando dessas canetas, vindas principalmente do Paraguai, é feito sem receita médica e sem qualquer controle sanitário. Vendidas em locais inusitados – desde ruas movimentadas até plataformas online e anúncios com dancinhas – elas atraem consumidores desavisados com a promessa de emagrecimento rápido e fácil.
Em 2024, a Receita Federal apreendeu 2.500 unidades. No ano passado, esse número saltou para impressionantes 30 mil canetas emagrecedoras, avaliadas em mais de R$ 30 milhões. No entanto, especialistas estimam que apenas 5% do total de produtos ilegais que entram no país são apreendidos, indicando que o mercado movimenta cerca de R$ 600 milhões.
Os Perigos à Saúde
“O brasileiro que compra essas canetas de forma irregular corre um risco enorme, pois não há garantia de que o produto seja autêntico, tenha sido armazenado corretamente ou esteja livre de contaminações”, alerta o auditor fiscal da Receita Federal, Daniel Link. “Os efeitos colaterais podem ser graves, incluindo até mesmo o óbito.”
O caso de Kellen Oliveira, de 42 anos, é um exemplo alarmante. Após usar uma caneta adquirida no Paraguai, ela desenvolveu a síndrome de Guillain-Barré, uma doença rara e autoimune que causa fraqueza muscular e pode levar à paralisia. Atualmente, ela está internada em UTI.
Felipe Henning, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, explica que “uma vez que ocorre um efeito colateral, é difícil determinar se ele foi causado pelo medicamento, por outra substância, por um contaminante ou por má conservação”.
A Anvisa e a Importação Legal
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que medicamentos sem registro no Brasil não podem ser comercializados. A única forma legal de adquirir um medicamento não aprovado no país é através de importação excepcional, feita por pessoa física para tratamento próprio e com prescrição médica.
O Paraguai e a Promoção de Produtos Vetados
A investigação do Fantástico revelou que, no Paraguai, laboratórios investem pesado na promoção de produtos proibidos no Brasil. A negociação ocorre abertamente nas ruas de Ciudad del Este, e contrabandistas utilizam grupos de mensagens para monitorar a fiscalização, com acesso custando R$ 100.
A delegada Milena adverte que “em casos de falsificação ou corrupção do produto, a pessoa pode ser responsabilizada por crime contra a saúde pública, com pena de reclusão de 10 a 15 anos”.
Um Problema de Saúde Pública
As autoridades consideram o contrabando de canetas emagrecedoras um problema de saúde pública que exige medidas urgentes. Luciano, do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras, defende o “reforço nas áreas de fronteira e a homogeneização de protocolos entre a Anvisa e a agência sanitária do Paraguai”.
Henning complementa que é fundamental “conscientizar a população e reforçar a atuação dos órgãos públicos para coibir o contrabando e o comércio ilegal”.
Alerta sobre a Tirzepatida
A Agência de Vigilância Sanitária do Paraguai emitiu um alerta sobre o uso da tirzepatida, o princípio ativo mais utilizado em algumas canetas emagrecedoras, afirmando que a substância representa um grave risco à saúde pública devido à impossibilidade de garantir sua composição, qualidade, segurança e eficácia.
Tirzepatida: Uma Ferramenta Promissora com Uso Responsável
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia reconhece o potencial da tirzepatida no tratamento da diabetes e da obesidade, mas ressalta que os medicamentos devem ser produzidos por laboratórios autorizados pela Anvisa e passar por rigorosos testes de qualidade e pureza.
“São medicamentos muito bons, mas o grande problema está no uso inadequado, sem orientação médica, e na compra em fontes duvidosas, onde o produto pode não ser o que parece, ter qualidade ruim ou estar contaminado”, conclui Henning.
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