Erupção Solar e o Céu Roxo no RS: Aurora Austral ou Fenômeno Inexplicável?

Céu Roxo no RS: Um Mistério Iluminado por Possíveis Erupções Solares
Na noite de 20 de janeiro de 2026, o céu noturno de Cambará do Sul, na Serra do Rio Grande do Sul, foi palco de um espetáculo inusitado: uma coloração roxa intensa que durou cerca de cinco minutos. O fenômeno, capturado em uma impressionante fotografia de longa exposição pelo astrofotógrafo Egon Filter, reacendeu o debate sobre a possibilidade de auroras austrais em latitudes tão baixas e a influência de erupções solares.
Egon Filter, morador da cidade e especialista em astronomia, descreve o momento como arrepiante. Com 41 anos de experiência em fotografia e expedições a mais de 100 países, ele acredita ter testemunhado uma rara manifestação da aurora austral, impulsionada por uma forte tempestade solar ocorrida no dia anterior. “Já fotografei diversos fenômenos visuais e astronômicos no céu mundo afora. Esse me parece muito uma aurora austral, o que me arrepiou de emoção no momento do clique”, conta o fotógrafo.
A Ciência em Debate: Aurora Austral ou Outro Fenômeno?
No entanto, nem todos concordam com a hipótese da aurora austral. O professor Carlos Fernando Jung, doutor em engenharia de produção e fundador do observatório Heller & Jung, expressa ceticismo. Para ele, é prematuro afirmar a natureza do fenômeno, considerando que auroras são mais comuns em latitudes elevadas, acima do paralelo 60 graus – o Rio Grande do Sul está entre os paralelos 29 e 33.
Jung sugere que o ocorrido poderia ser um fenômeno conhecido como ‘airglow’, um efeito óptico causado pela colisão de átomos na atmosfera após eventos como tempestades magnéticas e erupções solares. “Porém, um airglow tem intensidade menor e a cor mais dissipada no céu. Não dá pra afirmar com certeza, mas o fato é que se trata de um fenômeno importante e cientificamente relevante para nós gaúchos”, explica o professor.
O doutor em Geofísica Espacial José Valentin Bageston, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, também pondera sobre a dificuldade de identificar o fenômeno. Ele descarta a possibilidade de um ‘airglow’ generalizado e questiona se o registro corresponde a uma aurora, já que os detectores de partículas do observatório em São Martinho da Serra não registraram anomalias.
O Que Dizem os Especialistas Internacionais?
Ainda sem uma explicação definitiva, o clarão roxo em Cambará do Sul chamou a atenção de pesquisadores do site Space Weather, referência mundial em registros astronômicos. Os especialistas divergem sobre a natureza do fenômeno, mas consideram a possibilidade de um ‘Arco Vermelho de Aurora’ (SAR), embora a comparação com outros registros seja inconclusiva.
A ocorrência levanta questões importantes sobre a influência das erupções solares e das tempestades geomagnéticas em regiões de baixa latitude, desafiando as concepções tradicionais sobre a ocorrência de auroras. A comunidade científica aguarda mais dados e observações para desvendar o mistério do céu roxo do Rio Grande do Sul.
Entenda Melhor: Erupções Solares e Auroras
- Erupções Solares: Liberações repentinas de energia do Sol, que podem causar tempestades geomagnéticas na Terra.
- Auroras: Fenômenos luminosos causados pela interação entre o vento solar e o campo magnético da Terra, visíveis principalmente em regiões polares.
- Airglow: Efeito óptico causado pela colisão de átomos na atmosfera, geralmente menos intenso e com cores mais difusas que as auroras.
Saiba mais sobre o fenômeno: Space.com – Solar Flares and Auroras
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