Mallorca: A Inteligência Artificial é a Nova Língua Franca da Ilha?

Mallorca: A Inteligência Artificial é a Nova Língua Franca da Ilha?
A comunicação no exterior ficou mais fácil do que nunca, graças à tradução por IA em nossos smartphones – pelo menos, na maioria das vezes. Em Mallorca, essa tecnologia está provocando um debate fascinante sobre o futuro das línguas e a forma como nos conectamos com outras culturas.
Testando a IA no Dia a Dia
Em uma visita a Cala Ratjada, decidi testar a precisão do Google Translate. Ao pedir “Sobrassada” (um tipo de linguiça local) em alemão, a tradução para o espanhol saiu como “brazada” (braçada). O vendedor, visivelmente confuso, apenas balançou a cabeça. A repetição da pergunta em alemão finalmente resolveu o problema, mas o incidente levantou uma questão: até que ponto podemos confiar na IA para nos comunicar?
Em um supermercado chinês, o teste foi ainda mais revelador. Ao pedir “Você tem pão?” em chinês através do ChatGPT, a resposta soou como “ninjonimbauma?”. Para minha surpresa, o vendedor apontou para as baguetes na prateleira. Foi uma tradução precisa ou apenas sorte? A linha entre a precisão da IA e a compreensão humana ficou turva.
O Impacto na Profissão de Tradutor
Alejandro Jordà Langfeldt, proprietário de uma agência de tradução em Palma, testemunhou a evolução da indústria ao longo de décadas. Ele lembra de tempos em que o Telex era a principal ferramenta de comunicação. Com o surgimento de softwares de tradução assistida e, mais recentemente, da IA, sua equipe diminuiu drasticamente. Atualmente, a agência se concentra principalmente em traduções juramentadas e oficiais, que ainda exigem a expertise humana.
“A IA pode ser uma ferramenta útil para comparar e avaliar traduções, mas seus resultados podem ser ridículos, especialmente em textos técnicos”, afirma Jordà. Ele lamenta a perda da “arte de escrever”, substituída pela busca por otimização para mecanismos de busca. “O turismo de Mallorca sempre priorizou a economia em detrimento da qualidade. Agora, mais do que nunca.”.
O Futuro do Aprendizado de Línguas
Caroline Lehr, professora de linguística na Universidade de Zurique, oferece uma perspectiva mais otimista. Ela acredita que a IA não eliminará a necessidade de aprender idiomas, mas sim a complementará. “A tradução sempre foi uma ferramenta de auxílio, nunca um substituto para o aprendizado de línguas”, explica Lehr.
Ela destaca que aprender um idioma envolve compreender a cultura que ele representa, desenvolver empatia e adquirir novas perspectivas. A IA pode ser útil para praticar a pronúncia e a fluência, mas não pode substituir a conexão humana e a compreensão cultural.
O Equilíbrio entre Tecnologia e Humanidade
Kishor Sridhar, especialista em comunicação, ressalta que a IA é uma ferramenta poderosa que pode nos ajudar a nos conectar com pessoas de diferentes origens. No entanto, ele adverte contra a dependência excessiva da tecnologia e a perda do toque humano. “A IA é um instrumento que pode nos auxiliar em muitas tarefas, mas não devemos esquecer o que nos torna humanos.”.
Sridhar acredita que a IA pode ser especialmente útil para turistas em Mallorca, permitindo que eles se comuniquem com os moradores locais. No entanto, para aqueles que desejam viver na ilha e construir relacionamentos duradouros, aprender o idioma local é essencial.
A IA como Aliada, Não como Substituta
Em última análise, a IA não é um monstro que nos forçará a esquecer as línguas. Somos nós que decidimos como usá-la. Alguns continuarão a amar e a aprender idiomas, enquanto outros se contentarão em depender da tecnologia. A chave é encontrar um equilíbrio entre a conveniência da IA e a riqueza da comunicação humana.
Como Kishor Sridhar conclui: “A IA é um reflexo de nós mesmos. Se a usarmos com sabedoria e moderação, ela pode nos ajudar a construir pontes e a nos conectar com o mundo. Mas se nos deixarmos levar pela preguiça e pela dependência, corremos o risco de perder o que nos torna humanos.”.
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