90 Decibéis: Benedita Casé Zerbini e a Luta por Representatividade no Cinema

O Impacto de ’90 Decibéis’: Representatividade que Transforma a Tela
O cinema brasileiro ganha um capítulo emocionante com a estreia do filme 90 Decibéis na TV Globo. Mais do que uma obra de ficção, a produção é um manifesto sobre visibilidade e superação. No centro da história está a atriz Benedita Casé Zerbini, que interpreta Ana, uma advogada bem-sucedida que enfrenta o desafio da perda auditiva progressiva.
A escolha de Benedita para o papel não foi por acaso. A atriz, filha de Regina Casé e Luiz Zerbini, traz para a tela uma vivência real, transformando a performance em algo visceral e autêntico, provando que a representatividade de pessoas com deficiência (PcD) é fundamental para a construção de narrativas mais humanas.
A Conexão entre Ficção e Realidade
Um dos pontos mais fortes de 90 Decibéis é a sinergia entre a atriz e a roteirista Júlia Spadaccini. Assim como a personagem Ana, Júlia também convive com a perda auditiva progressiva bilateral, tendo iniciado esse processo aos 19 anos. Essa conexão pessoal permitiu que o roteiro fugisse de estereótipos, abordando as nuances psicológicas e sociais de quem perde a audição ao longo da vida.
A parceria entre as duas já havia florescido anteriormente no teatro, com o monólogo Surda. Segundo Spadaccini, Benedita possui uma capacidade nata de “iluminar o palco”, característica que agora se traduz em carisma e força diante das câmeras.
Entendendo a Ototoxicidade: O Alerta Médico
Um detalhe crucial da história de Benedita Casé Zerbini é a causa de sua surdez. Diferente de sua personagem, Benedita nasceu ouvinte, mas desenvolveu a perda auditiva ainda bebê devido ao uso de antibióticos ototóxicos durante o tratamento de uma pneumonia severa.
De acordo com o Dr. Fernando Balsalobre, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), a ototoxicidade é um risco real em diversos tratamentos médicos. Alguns pontos de atenção incluem:
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- Medicamentos Críticos: Certos diuréticos, quimioterápicos e antimaláricos podem causar danos irreversíveis ao nervo auditivo.
- Atenção às Bulas: É fundamental que médicos e pacientes verifiquem as contraindicações e riscos auditivos de medicações fortes.
- Intervenção Precoce: Suspender a medicação a tempo pode, em alguns casos, frear a progressão da perda auditiva.
Além do Filme: A Luta Contra a Invisibilidade
Embora 90 Decibéis traga luz ao tema, a realidade fora das telas ainda é desafiadora. Benedita revela que, por muito tempo, acreditou nas narrativas limitantes impostas pela sociedade, chegando a optar pelo design gráfico para evitar a exposição.
A roteirista Júlia Spadaccini reforça que a maior barreira não é a deficiência em si, mas a falta de letramento social e a precariedade da acessibilidade. A ausência de legendas em filmes dublados e a baixa representatividade de PcDs em cargos de protagonismo no entretenimento são exemplos de que a inclusão ainda está longe do ideal.
90 Decibéis não é apenas um filme sobre perda auditiva; é um convite para que a sociedade repense a forma como enxerga a deficiência, trocando o olhar de pena pelo olhar de respeito e equidade.
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