Adeus a Laura Cardoso: A Trajetória de uma Estrela Eterna da TV Brasileira

O Brasil se despede de um ícone: Laura Cardoso parte aos 98 anos
A dramaturgia brasileira perdeu, nesta terça-feira, uma de suas figuras mais emblemáticas. Laura Cardoso faleceu aos 98 anos, deixando um legado imensurável de talento, dedicação e paixão pela arte. A notícia foi compartilhada com pesar em seu perfil oficial no Instagram, administrado por seu bisneto, Fernando Faria, que expressou a dor da família ao descrevê-la como a “grande estrela” que estará para sempre em seus corações.
Laura deixa um vazio imenso na cultura nacional, mas também a lembrança de uma vida plena. A atriz deixa duas filhas, Fernanda e Fátima, além de três netos, que acompanharam de perto sua trajetória e seu amor inabalável pela leitura e pelas artes.
Uma Carreira Monumental: Do Radioteatro ao Sucesso na TV
Nascida no Bixiga, o tradicional bairro italiano de São Paulo, em um lar de imigrantes portugueses, Laurinda de Jesus Cardoso descobriu sua vocação cedo. Aos 15 anos, iniciou sua jornada no radioteatro, onde não apenas lapidou seu talento, mas também conheceu seu companheiro de vida, Fernando Baleroni.
A transição para a televisão aconteceu em 1952, quando estreou em Tribunal do Coração na TV Tupi, a pioneira da televisão no Brasil. Desde então, Laura Cardoso tornou-se sinônimo de versatilidade e excelência.
Destaques de uma trajetória brilhante:
- Mais de 100 trabalhos: Um currículo vasto que inclui mais de 60 novelas.
- Papéis Inesquecíveis: Eternizou-se como a mãe de Ruth e Raquel em Mulheres de Areia e como a marcante Guiomar em A Viagem.
- Voz Icônica: Na década de 60, emprestou seu talento para a dublagem, dando voz à Betty, do clássico desenho Os Flintstones.
- Reconhecimento Oficial: Em 2006, foi agraciada com a Ordem do Mérito Cultural, a mais alta honraria concedida a personalidades que contribuíram significativamente para a cultura brasileira.
A Sabedoria de Quem Amou a Vida
Mesmo nos seus últimos anos, Laura Cardoso manteve sua conexão com a arte. Detentora de um contrato vitalício com a TV Globo, ela participou da vinheta de fim de ano de 2025 e foi homenageada com uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo em outubro do mesmo ano.
Sua última grande aparição em novelas foi em 2019, como Matilde Azevedo em A Dona do Pedaço. Naquele mesmo ano, em entrevista à revista Quem, Laura demonstrou a serenidade com que encarava a finitude:
“Não tenho medo da morte. Ela é imprevisível, mas inevitável. Amo a vida, agradeço a Deus por ter chegado a essa idade, mas a gente um dia vai embora.”
O Legado Final
Até seus momentos finais, Laura Cardoso não parou de criar. O curta-metragem Dona Rosinha, rodado em 2024 e lançado em 2025, serve como um testamento de sua vitalidade artística. Para Laura, a aposentadoria era um conceito distante: “A gente se aposenta quando vai embora”, afirmava com a convicção de quem viveu para a arte.
Laura Cardoso não foi apenas uma atriz; ela foi a ponte entre a era de ouro do rádio, a fundação da TV brasileira e a modernidade da dramaturgia atual. Seu nome permanece gravado na história do entretenimento do Brasil.
Compartilhar:


