Dado Villa-Lobos: Novo Álbum, Memórias da Legião Urbana e a Atualidade de ‘Que País É Este’

Dado Villa-Lobos: Entre o Legado da Legião Urbana e a Nova Jornada Solo
O rock nacional foi transformado nos anos 80 por uma banda que conseguiu encapsular a angústia, a poesia e a urgência de uma geração: a Legião Urbana. Décadas depois, Dado Villa-Lobos, guitarrista e pilar fundamental do grupo, continua a refletir sobre esse legado enquanto trilha seus próprios caminhos na música.
Em um momento de transição e redescoberta, Dado abre o jogo sobre sua carreira solo, a complexa relação com a memória de Renato Russo e as ironias de viver no Brasil — um país que, para ele, parece preso em um ciclo interminável de contradições.
O Que Você Quiser: A Nova Fase de Dado Villa-Lobos
Após quase dez anos desde o lançamento de Exit (2017), Dado Villa-Lobos retorna ao cenário musical com seu quarto álbum de estúdio, intitulado “O Que Você Quiser”. Lançado em plataformas de streaming, o trabalho é um reflexo de resiliência e estoicismo.
O disco nasce do contraste. De um lado, a obscuridade e o caos vividos durante a pandemia da Covid-19; do outro, a luminosidade trazida pelo nascimento de seus netos gêmeos. Essa dualidade é enriquecida por colaborações de peso do rock e da MPB, como:
- Tiago Iorc, na faixa “Dois Brilhantes”;
- Humberto Gessinger e Herbert Vianna, na composição “Adeus Bem-vinda”.
Para Dado, a arte agora é um refúgio contra a loucura do mercado moderno e a volatilidade dos algoritmos, focando mais na essência da canção e no prazer da família.
Desmistificando Renato Russo: O Gênio e o Homem
Renato Russo é frequentemente colocado em um pedestal de genialidade intocável. No entanto, Dado Villa-Lobos prefere humanizar a figura do ex-companheiro. Para o guitarrista, um dos maiores equívocos é acreditar que Renato fosse apenas um intelectual “supercabeça”.
“Ele era um cara que, aos fins de semana, comia cachorro-quente e jogava Master conosco”, relembra Dado. Embora reconheça o talento e a visão de Renato para construir o projeto da banda, ele não ignora as arestas: em sua autobiografia, “Memórias de um Legionário”, Dado menciona a convivência difícil e as atitudes egoístas do cantor, provando que a admiração artística pode coexistir com as complexidades das relações humanas.
“Que País É Este”: Por que a música continua atual?
Escrita em 1978, no crepúsculo da ditadura militar, a canção “Que País É Este” tornou-se um hino de protesto. Para Dado, a música permanece assustadoramente atual em 2026 porque a essência dos problemas estruturais do Brasil não mudou.
A letra que denuncia a sujeira no Senado e o desrespeito à Constituição ainda ecoa nas ruas e nas redes sociais. Para o músico, a obra da Legião Urbana serviu como um espelho social que, infelizmente, continua refletindo as mesmas mazelas.
Batalhas Judiciais e o Futuro do Rock
Nem tudo são melodias. Dado enfrenta a frustração de um imbróglio judicial que já dura 30 anos referente ao uso da marca Legião Urbana. Comparando a situação ao livro O Processo, de Kafka, ele lamenta a lentidão da justiça brasileira, mesmo após ter tido autorizações do STJ para utilizar o nome em atividades profissionais.
Sobre o futuro do gênero, Dado observa com melancolia que o rock perdeu espaço nos tops* do Spotify, mas mantém a chama acesa em projetos pontuais, como as apresentações do disco Dois no festival C6 no Rock, ao lado de Marcelo Bonfá.
Leia também: Se você quer explorar mais sobre a história do rock brasileiro e a influência de artistas como Heitor Villa-Lobos na cultura nacional, visite o portal da Rolling Stone Brasil.
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