Eliana e a Liberdade de Envelhecer: O Combate ao Etarismo na TV Brasileira

Eliana e a Liberdade de Envelhecer: Por que a Maturidade Feminina nos Palcos Ainda Incomoda?
A televisão brasileira foi moldada por ícones que embalaram a infância de gerações. Nomes como Eliana e Xuxa não foram apenas apresentadoras; elas se tornaram símbolos de uma era. No entanto, à medida que essas mulheres transitam para a maturidade, surge um debate necessário e urgente: por que a sociedade aceita a exuberância da juventude, mas questiona a liberdade do corpo feminino ao envelhecer?
O Paradoxo da Imagem: Do Colã à Maturidade
Durante as décadas de 80 e 90, era natural vermos apresentadoras jovens, como Xuxa, dançando de colã e dominando a audiência. Naquela época, a sexualização precoce para entreter crianças e adultos era amplamente aceita. Contudo, o cenário muda drasticamente quando a mulher atinge os 50 ou 60 anos.
Recentemente, o retorno de Xuxa aos palcos com a mesma energia e vestimentas de sua juventude gerou ondas de críticas. O questionamento é claro: por que uma mulher de 63 anos não pode mais rebolar ou expressar sua liberdade corporal? A expectativa social é que, ao envelhecer, a mulher se recolha ao ambiente privado, abandonando a cena pública e a sensualidade.
Eliana e a Evolução da Mulher na Mídia
Assim como Xuxa, Eliana percorreu um caminho de transformação profunda. De rainha das crianças a apresentadora de programas de auditório e jornalista, ela exemplifica a transição da imagem feminina na TV. Quando mulheres como Eliana e Xuxa decidem ignorar as “regras implícitas” do envelhecimento, elas não estão apenas fazendo um show; estão cometendo um ato de rebeldia contra o etarismo.
O etarismo, ou preconceito baseado na idade, atinge as mulheres de forma muito mais severa do que os homens. Enquanto o homem maduro é visto como “experiente” ou “distinto”, a mulher madura é frequentemente empurrada para a invisibilidade.
Machismo Estrutural e a Hipocrisia Social
A histeria provocada por um corpo feminino que dança livremente após os 60 anos é o reflexo de algo mais profundo: a soma do machismo com a misoginia. O machismo cria a estrutura de poder, e a misoginia alimenta a ideologia de que o corpo da mulher pertence ao olhar do outro, devendo ser “moderado” conforme a idade avança.
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- A Juventude: Aceita e incentivada a se sexualizar para o entretenimento.
- A Maturidade: Julgada, silenciada e pressionada a se adequar a padrões de “recato”.
- A Hipocrisia: Uma sociedade que critica a exposição de uma artista, mas ignora as estruturas de poder masculinistas que operam nas sombras.
A Vitória do Amor e da Autonomia
Apesar do ódio e dos comentários puritanos, a resposta do público costuma ser surpreendente. Estádios lotados e audiências fiéis mostram que existe um desejo coletivo de ver mulheres donas de si, independentemente da data de nascimento. A coragem de rasgar o manual de conduta social é o que permite que novas gerações de mulheres vejam o envelhecimento não como um declínio, mas como uma nova fase de libertação.
Para entender mais sobre como o preconceito de idade afeta a sociedade, vale a pena conferir as diretrizes da ONU Mulheres sobre a equidade de gênero e a luta contra todas as formas de discriminação.
No fim das contas, a liberdade de Eliana, de Xuxa e de tantas outras mulheres de ocupar o palco e o espaço público é a prova de que, embora o preconceito fale alto, a autonomia e o amor próprio falam mais forte.
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