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Ellen DeGeneres e a Selfie do Oscar: O Marco do Fim da ‘Monocultura’

Ellen DeGeneres e a Selfie do Oscar: O Marco do Fim da ‘Monocultura’

temp_image_1776877300.125204 Ellen DeGeneres e a Selfie do Oscar: O Marco do Fim da 'Monocultura'

A Selfie que Parou o Mundo: Ellen DeGeneres e o Ápice de uma Era

Você se lembra de março de 2014? Se você estava conectado à internet naquela época, provavelmente se lembra de uma imagem específica: a selfie de Ellen DeGeneres no Oscar. O que parecia ser apenas um momento descontraído entre Bradley Cooper, Meryl Streep, Julia Roberts e Angelina Jolie, tornou-se um dos tweets mais compartilhados da história.

No entanto, olhando para trás, esse momento não foi apenas um recorde de engajamento; ele representou, possivelmente, o “canto do cisne” da chamada monocultura. Mas o que exatamente é isso e por que não sentimos mais a mesma conexão global?

O Que Era a Monocultura?

A monocultura, no contexto social, é aquele fenômeno onde uma única peça de conteúdo, evento ou tendência domina a conversa global. É o momento em que todos, independentemente de onde estivessem, assistiam ao mesmo programa, ouviam a mesma música ou comentavam o mesmo acontecimento no dia seguinte.

Exemplos clássicos incluem:

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  • A chegada do homem à Lua com a missão Apollo 11;
  • O casamento real de Charles e Diana;
  • O episódio final de séries icônicas como Friends.

Até 2014, as premiações de Hollywood ainda mantinham esse poder. Para se ter uma ideia, a audiência da TV para o Oscar naquele ano foi de impressionantes 43,74 milhões de pessoas. Hoje, esse número despencou para cerca de 18 milhões.

A Fragmentação Digital: Do Coletivo às Bolhas do TikTok

Se a selfie de Ellen DeGeneres foi o pico, o que veio depois foi a fragmentação. De acordo com análises recentes do The Hollywood Reporter, a cultura popular se estilhaçou como um vaso de porcelana Ming caindo no concreto.

Vários fatores contribuíram para esse cenário:

  1. Explosão do Streaming: Com a chegada de gigantes como Netflix, Disney+, Apple TV e HBO Max, deixamos de ter “um canal” para ter centenas de opções personalizadas. Só no ano passado, a Netflix lançou quase 600 produções originais.
  2. Algoritmos de Recomendação: Plataformas como YouTube e TikTok não nos mostram o que todos estão vendo, mas sim o que o algoritmo acha que nós queremos ver. Isso cria as chamadas “bolhas de filtro”.
  3. Impacto da Pandemia: O isolamento social dos últimos anos acelerou a diminuição de espaços físicos de convivência e a dependência de experiências digitais individualizadas.

O Fim da Conversa no “Bebedouro”

Antigamente, as pessoas se reuniam ao redor do bebedouro no trabalho para discutir o evento da noite anterior. Hoje, essa dinâmica mudou. É difícil encontrar um tópico cultural que seja universal, pois cada indivíduo está imerso em seu próprio fluxo de conteúdo, muitas vezes gerado por inteligência artificial e moldado por interesses ultraespecíficos.

A selfie de Ellen DeGeneres foi um dos últimos momentos em que o mundo inteiro olhou para a mesma tela e sentiu a mesma coisa. Agora, enquanto navegamos por feeds infinitos, a pergunta que fica é: será que ainda somos capazes de ter uma experiência cultural verdadeiramente compartilhada, ou estamos destinados a viver em nossas próprias bolhas digitais?

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