Margot Robbie em ‘O Morro dos Ventos Uivantes’: Obra-Prima Visual ou Polêmica Desnecessária?

O Retorno de um Clássico: Margot Robbie e a Visão Provocadora de Emerald Fennell
O cinema acaba de ganhar mais um capítulo controverso na adaptação de clássicos literários. Margot Robbie e Jacob Elordi protagonizam a nova versão de “O Morro dos Ventos Uivantes”, sob a direção da audaciosa Emerald Fennell. O longa, que já se tornou um fenômeno de bilheteria ao arrecadar US$ 241 milhões, chega ao streaming via HBO Max, trazendo consigo tanto elogios estéticos quanto críticas ferozes.
Mas afinal, a presença de Margot Robbie no papel de Catherine Earnshaw soma ao filme ou é apenas um movimento de marketing? Vamos analisar os pontos altos e as polêmicas desta produção.
A Estética do Choque: O Estilo de Emerald Fennell
Se existe algo que define a cineasta Emerald Fennell (conhecida por Bela Vingança e Saltburn) é a incapacidade de passar despercebida. Em O Morro dos Ventos Uivantes, ela substitui a fidelidade literal do livro de Emily Brontë por uma visão pessoal e visceral.
O filme não tenta ser uma cópia do romance de 1847, mas sim uma releitura que flerta com o erotismo e a obsessão. Alguns críticos chegaram a comparar a obra a um “50 Tons de Cinza da Era Vitoriana”, devido às cenas intensas e ao uso explícito de fetiches para ilustrar a natureza tóxica do relacionamento entre os protagonistas.
As Polêmicas de Elenco: Idade, Cor e Fidelidade
A escalação do elenco foi o ponto onde a maior parte das críticas se concentrou. Dois pontos principais geraram debates calorosos nas redes sociais:
- Margot Robbie como Catherine: Aos 35 anos, a atriz australiana foi considerada por muitos “velha demais” para interpretar uma personagem que, na maior parte da trama original, é adolescente. Além disso, a cor loira de Robbie diverge dos cabelos negros descritos por Brontë.
- Jacob Elordi como Heathcliff: No livro, Heathcliff é descrito como um homem de pele escura, frequentemente associado a origens ciganas ou indianas. A escolha de Elordi, um ator branco, foi vista por acadêmicos e fãs como um apagamento do contexto de racismo e xenofobia que move a vingança do personagem.
Apesar disso, a produção tentou equilibrar a diversidade em outros papéis, escalando atores de ascendência paquistanesa e tailandesa para personagens secundários.
Som e Imagem: Uma Experiência Sensorial
Se no roteiro há lacunas sociopolíticas, na parte técnica o filme é impecável. A fotografia de Linus Sandgren utiliza a névoa para criar uma atmosfera etérea e misteriosa, remetendo a obras de Sofia Coppola.
Outro destaque absoluto é a trilha sonora assinada por Charli XCX. Com músicas que misturam o sinister com o êxtase dance, a sonoridade complementa a fricção entre a beleza visual do casal e a torpeza de seus sentimentos. O álbum Wuthering Heights já está disponível em plataformas como o Spotify e é essencial para quem deseja mergulhar na vibe do filme.
Veredito: Vale a Pena Assistir?
O Morro dos Ventos Uivantes de Emerald Fennell é, acima de tudo, um filme sobre a aniquilação causada pelo desejo. Embora ignore a crítica de classe e raça presente na obra de Emily Brontë, entrega um espetáculo visual hipnotizante e atuações intensas.
Para quem busca a profundidade literária, o livro continua sendo a melhor fonte. Para quem busca um thriller erótico retrô com o carisma de Margot Robbie, o filme é uma pedrada estética que não deixa ninguém indiferente.
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