Sgarbi Revela a Genialidade de Wainer Vaccari: O Mestre do Realismo Congelado

A Visão de Vittorio Sgarbi sobre a Arte Magnética de Wainer Vaccari
Quando o renomado crítico e historiador da arte Vittorio Sgarbi se debruça sobre a obra de um artista, o resultado é sempre uma imersão profunda e provocativa. Desta vez, o foco recai sobre Wainer Vaccari, um artista cuja produção é descrita como “magnética”, comparável à força de paredes de aço nos fiordes noruegueses ou aos mistérios de um navio naufragado repleto de tesouros.
Vaccari, nascido em 1949, destaca-se como possivelmente o único artista italiano com uma compreensão plena da Nova Objetividade alemã, integrando essa estética ao cenário artístico da Itália em um momento de transição crucial.
Do Abstracionismo ao Realismo Implacável
A trajetória de Wainer Vaccari não foi linear. Nos anos 70, ele navegou pelas águas da pintura abstrata e informal — quase um requisito da época. No entanto, a virada aconteceu ao encontrar a influência de nomes como Christian Schad e Chuck Close. A partir daí, Vaccari abandonou a abstração para abraçar um realismo congelado e implacável.
Um ponto fascinante de sua técnica é o uso da fotografia. Segundo o próprio artista, as fotos serviam como base, mas o resultado final transcendia a imagem fotográfica, transformando-se em algo estritamente pictórico e gélido.
A Pintura como Necessidade e Liberdade
A ascensão de Vaccari ganhou força com o apoio do galerista Emilio Mazzoli e a curadoria de Achille Bonito Oliva em 1983. Enquanto outros artistas se agrupavam em movimentos políticos ou teóricos, Vaccari manteve sua autonomia. Para ele, a pintura nunca foi uma escolha estratégica, mas sim uma necessidade irrevogável.
- Autonomia Criativa: Diferente dos anacronistas, Vaccari não segue teorias pré-estabelecidas.
- Essência Artística: Sua máxima é clara: “Nasci pintor e morrerei pintor”.
- Referenciais Clássicos: Sua obra dialoga com mestres como Velázquez, Rembrandt e Rubens.
“Desiderio e Capricci”: Um Espelho da Condição Humana
Atualmente, a exposição “Wainer Vaccari. Desiderio e Capricci”, realizada na Galleria Ceribelli em Bergamo, revela a obsessão do artista com a humanidade. Através de gestos mecânicos e caminhos secretos, Vaccari retrata a irresolução do homem.
Sgarbi traça um paralelo poético entre as obras de Vaccari e a famosa pintura dos Cegos de Pieter Bruegel, onde figuras caminham para onde não sabem. Essa sensação de vazio e destino inevitável também ecoa as cenas finais de Amarcord, de Federico Fellini.
Conclusão: Um Pintor do Inconsciente
Wainer Vaccari é, nas palavras de Aurelio Picca, um “pintor interior e de guerra”. Ele não apenas retrata rostos, mas flanqueia um inconsciente que raramente é investigado. Através do olhar crítico de Sgarbi, compreendemos que a obra de Vaccari é um convite para encararmos a verdade nua e crua da existência humana, embalada em cores e formas que desafiam a nossa percepção do tempo.
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